quinta-feira, 8 de novembro de 2018

Peça




O ulmeiro olha, em redor, num fingimento de não ser, 
de não ver, como quem olha para dentro da raiz. 
No fundo, coisas de quem vai perdendo a folhagem 
agastada, já dourada; coisas de quem vai sopitando. 
Aveiro é, agora, a ilusão da luz das ruas e das janelas. 
A cidade enrosca-se, como se aguardasse, em si, dias 
mais longos e mais quentes, ou uma ideia de calor; 
como se guardasse a maré viva, ainda bem viva. 
Mas, é a chuva que, a pulso, estabelece a ordem, 
ensopando, cuidadosamente, o ar, a terra, os canais. 
E nada disto é novo, nem a delicadeza dos olhos da casa. 


 [miscelânea]



6 comentários:

  1. Uma bela inspiração, que nos remete, para este clima de nostalgia, aconchego, e reflexão, tão próprios do Outono... enquanto nos conformamos com tal... e nos vamos também arrumando, por dentro...
    Beijinho! Continuação de uma óptima semana, e de um excelente mês de Dezembro, para ti e os teus!
    Ana

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  2. Votos de um Santo e Feliz Natal, para ti e todos os teus!
    Beijinhos! Festas Felizes!
    Ana

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  3. Feliz 2019, para ti e todos os teus!
    Tudo de bom! Beijinho
    Ana

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  5. Estava convencida de que já tinha comentado, no outono, ainda. :)
    Muito bom!

    Com saudade.
    bjks

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  6. Sou ninguém que, em nome de ''uns quantos'', te pede e te tem pedido, de várias formas e feitios, que voltes, que acordes, sei lá… Se poderes…
    :)))

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