sexta-feira, 6 de setembro de 2019

extensão




o céu e o ulmeiro, de março, pejados de folhas novas, felizes,
tão repletos de aveiro, tão dentro e tão fora de nós e de si, agora,
afinam, em sol, o calor que nos enxuga o fantástico do horizonte
e que ofusca o imaginário do chão menos aprazível de um agosto,
já setembro, onde, há anos, tantos, continuas a ser maior e melhor,
e onde eu procuro ser mais do que irreal; mais do que uma chaga;
entender ou recordar a razão que me retém na inércia da história.
não é, não há, um arquivo e eu sou mais do mesmo que nunca serei.
na confissão do tempo, olho para trás, o cansaço de uma ilusão de óptica;
o encontro da felicidade nos tristes poemas tristes dos dias menos bons,
que são a canção de quem eu sou, no singular, o que não sabes nem vais saber,
para abreviar. deixemos o tempo, o céu, o ulmeiro, cada um no seu lugar.
por aí, eu sou a ideia de luz sem ouro na tua auspiciosa fantasia.
por aqui, olha, outra vez, e eu já não estou, já não estou só.

 [miscelânea]



3 comentários:

  1. Este comentário foi removido pelo autor.

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  2. É um prazer ler-te de novo, Henrique!
    Belo texto poético!

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  3. O que sinto:
    Um belo jogo de palavras, de sentidos, de sentimentos, que se estende para além do próprio texto/poema, mais do que uma porção de tempo, de um espaço, de uma narrativa, quando (talvez) o próprio texto é uma extensão da realidade;
    Um muito belo «triste poema triste» :)

    Espero não ter de esperar mais 9 ou 10 meses pelo próximo... :))
    Bjks

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