sábado, 10 de setembro de 2011

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Instantâneo diferido



     Momentos. Revejo alguns negativos, tiras antigas de filme fotográfico, revelados mas não divulgados. As suas manchas ganham vida no meu cérebro, e crescem lembranças, momentos, histórias. A profundidade de campo, por vezes diminuta, revela novos incidentes ou confirma a profundidade e a elevação das recordações.


     Os pequenos espelhos transformam alguns retalhos de vida. Nivelam a sua importância para uma zona mais neutra e diluem-se numa diferença de cor e na presença da imobilidade. Outras fracções de existência, vistas por este prisma, agigantam-se ou diminuem.


     Crescem e afrouxam sorrisos; desaparecem, ou despontam, embaraços, vergonhas. Memórias.


     No fundo, revejo alguns positivos.

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Breviário [I]


     … Mais cartas de amor: Contas!

     (Sem rezas e embora repetitivo, ainda não encontrei uma [conta] que fosse repetida, o que poderia ser bom, mas, também, poderia ser um mau testemunho.

     Haja!)

terça-feira, 6 de setembro de 2011

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

E hoje... (V)



     ... Desvio-me de alguns advérbios, dos absolutos e questionáveis: "sempre", "eternamente", "jamais", "nunca"...

sábado, 3 de setembro de 2011

Em modo de observação



     Uma mulher puxa, sem violência, uma criança pela mão, não porque esta, criança, não consiga acompanha-la, creio eu, mas, porque deixa para trás outros interesses ou outras vontades. Muitas vezes somos arrastados, ou deixamo-nos levar, ou queremos ser puxados: com alternativa, ou sem opção, ou alheados; por bondade, ou por poder, ou por distracção; por pessoas, ou por circunstâncias, ou pelo tempo, ou por vontades.


     Os cenários e as variáveis desses percursos podem complicar-se, multiplicar-se por diversas combinações. Não me apetece dissecar as idas na enxurrada ou contra a corrente, deixo o tema numa gaveta próxima. Quero absorver as cores, os movimentos, os odores, as sensações. Contemplação.


     Mais crianças seguem de mãos dadas, felizes, indiferentes ou contrariadas; em duetos ou em grupos. Por outro lado, por outros motivos, também há pares de jovens e/ou adultos que circulam de mãos dadas, possivelmente, por vontade de materializar a união; um simbolismo da caminhada conjunta, una, indivisível, de um só sentido; um estado de fusão. Indivíduos unidos sem distinção de género, raça e credo.


     É um ponto de partida e/ou de chegada.


     Haja paz!

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

E hoje... (IV)



     ...Pergunto-me se estou feliz. Porque me perguntam se estou feliz?


     A dona aurora serenou a jornada nocturna: as espertinas, os sonhos, as dores. Não colheu alegrias.


     A matéria ainda não acordou, em definitivo, substância que consubstancia o estado com a aparência e a apresentação. Acresce o cinzento uniforme, que cobre o céu, e a humidade homogénea, que carrega o ar, e fundem e formatam o dia, que não é inferior por ser o segundo. Os regressos são, não apenas, viagens.


     Inspirar, contudo, e exalar, sobre tudo, o bem-querer. Há diligências e percursos a traçar, a trilhar e a libertar. Há o «deve» e o «haver». Há vida. Haja paciência!

Só para dizer [III]:

  
     Sinto-me devolvido, revolvido e vagamente enleado. Os actuais lugares-comuns são invulgares e antigos.

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

"Banquinho" de meditação

   
     Enquanto espero por um novo imposto, Setembro deixou de ser um segredo.
  
     Sentado num banco, atrás do espelho, mais ausente do que escondido, enrolo os pergaminhos soltos da minha vida. Surpresas ou nem tanto: Contas.
  
     Contas para pagar, para contar, para referir, para rezar… Creio que tenho contas a mais no meu rosário. Um verdadeiro milagre de multiplicação, reprodução, ou apenas ciência das finanças.

Sequer

  
     Não encontro a forma, nem a fórmula. Recolho-me e encolho-me. É inútil forçar a natureza, esta mola, mole e teimosa.
  
     Hoje colho todos os ventos, os que, de facto, semeei e aqueles que dizem ter semeado. Permito-me ser flexível. Não pretendo acrescentar ódio e ira a quem vem. Por vezes sabe bem ser de outra têmpera, ainda que destemperada.

Conta à ordem

  
     Não me escondi, nem fingi desconhecer. Cumprimentei o contorno perdido e simulado num novo fato que espelha o formato sério de uma exposição que decorria nos corredores de um centro comercial excêntrico. Abriguei-me e contrai-me. De nada vale constranger, ainda que livremente, a natureza sujeita. A imagem logrou figurar o reflexo de uma metáfora e de uma ironia, ou de um conjunto de figuras de estilo numa falta de estilo.
  
     Se fosse apenas um espectador e não conhece-se a personagem, não deambularia por estas vielas escusadas e escusas. Não posso fingir a indiferença. Julguei pressentir um desprezo, que me é permeável, transparente e alheio.
  
     Recolhi a saudação caída. Segui pelo atalho que pretendia trilhar. Não há nada a acrescentar. Não quero analisar. Quero, isso sim, colorir um novo dia e abrir uma conta à ordem num banco de sorrisos.