Por vezes, não
responder não é, simplesmente, ficar calado, desrespeito, falta de educação… Por
vezes, não responder é, elaboradamente, a tentativa de preservar a lucidez, o
respeito, a educação e a própria paz…
sexta-feira, 30 de setembro de 2011
quinta-feira, 29 de setembro de 2011
Só para dizer [VIII]:
Querido espelho, pois
bem, voltei! Sem prodígio, é certo, como é certo, também, e bem podes constatar,
que continuo cansado e a receber muitos mimos. Cheguei a casa e o cão rosnou
qualquer coisa que não entendi. O gato rosnou para o cão, para mim e para o
ouriço que lhe vai furtar a ração. Creio que a crise também deverá ter chegado
ao mundo dos animais, nomeadamente, ao mundo dos ouriços, e eu aqui, a falar
contigo…
Imagens de ligar e desligar.
“Rosnar - emitir, qualquer animal, especialmente o cão, um ruído surdo e ameaçador
(Porto Editora)
quarta-feira, 28 de setembro de 2011
Breviário [X]
Não posso ficar aqui.
Esta margem é o meu custo, espelha o teu lucro; não é a orla serena, tranquila, e apaziguante
que tu pintas.
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#breviário,
#prosa,
margem,
prosa
terça-feira, 27 de setembro de 2011
Movimento de torno
Movimento de torno
O retorno torna a
volta imperfeita perfeita,
Num passo pesado com
passado,
Sem conta, sem medida
e cego espreita
Na grande avenida da
vida estreita,
Ruela multicolor,
escura e de outro lado,
Sobre a luz que
permanece desfeita
Numa verdade contrafeita.
Um amor e não amado,
Num jogo claro,
inseguro e cinza, condenado,
De uma rua que nunca
foi direita.
Recta da vida que se
deita,
Não dorme, não descansa,
Dardo lança,
Dardo lança,
E fica um, só, sonho
que parte desfeiteado!
segunda-feira, 26 de setembro de 2011
E hoje... (VI)
... O tempo passou e com ele veio o esquecimento intermitente.
As discussões são compostas,
muitas vezes, por várias discórdias enevoadas, são de duração indeterminada e,
normalmente, não tem uma conclusão razoável.
Fogo-de-artifício.
Nada de novo.
Fogo-de-artifício.
Nada de novo.
sexta-feira, 23 de setembro de 2011
A tal vez!
A tal vez!
Talvez!
Deixa um espaço incerto,
Um longe, tão perto,
E eu, que já me julgava desperto,
Deixo-me cair, uma e outra vez.
Ando, sem andar, enquanto falo, sem falar,
E levanto-me sem conta e certo
De que se perde a sensatez
Por cada som ou silêncio aberto.
Não choro,
Não riu
E se por certo demoro
Indiferente à indiferença,
Não é, tão próximo, pelo frio,
É, de longe, por estar cheio de um vazio
E a falta e o excesso de uma vontade imensa,
Maré que danço arredio
E com permissão peço licença.
Faz-me bem e faz-me falta,
Não tenho e procurei no sítio errado,
O mar, um mar fechado,
E um céu do mesmo modo, que salta.
Nariz, 31 de Janeiro de 2011
quinta-feira, 22 de setembro de 2011
Só para dizer [VII]:
Breviário [IX]
O
meio ambiente influencia-me as vontades, o ânimo, a disposição. A recolha
transformou o ecoponto numa vulgar lixeira!
quarta-feira, 21 de setembro de 2011
Paiol amorfo
Tenho uma série de bombas guardadas,
Num paiol que assaltam amiúde.
Por vezes, talvez por falta de coragem ou de vontade,
Deixo as lágrimas inundarem-me, desalmadas,
Ocultas num sorriso que a alguns ilude.
21 de Abril de 2009
Breviário [VIII]
… Repito-me!
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prosa
terça-feira, 20 de setembro de 2011
Miríades
Miríades
O novo espelho da
imagem imita a dobra
Que reluz, do passado,
a eterna demência
Do primogénito
agravado, elevado à potência,
De um título mais
importante do que a obra;
De um rótulo mais
eficaz do que o contido;
De um cabeçalho que
diz mais do que o texto.
Sentimentos de um
exemplar deflectido
Na assunção de um
fundamento sem pretexto.
Formas líquidas e
cristalinas de um amor ineficaz.
Primeiro pé-de-cantiga
reminiscente, de lugar-comum,
Tão sério, tão
intenso, mas tão brincalhão e tão fugaz.
Fragmentos de bem-querer
sem fundamento,
Sobranceiro à chama,
embebido pelo rocio
Num clarão arrebatado
de um festivo cio.
Do nada surgiu a
vontade vazia e o pressentimento.
Por muito pouco, a
alma, espessa, já existia
Na estranheza das
fragas de uma sindicância.
O todo, o quase e o
nada são uma heresia
Perante a indivisível
incompatibilidade e ânsia.
Nariz, 17 de Junho de
2010.
Outras ruas
Outras ruas
Entretanto, corri as outras ruas noutro
sentido.
Descontente, remediadamente, parti de
novo e sem ti.
Sabe-lo bem porque, sem o esconder, a
correr sai,
Não foi importunado, a contragosto ou
aborrecido.
Simplesmente, posso não amanhecer contigo,
Amanheço, muito embora, com a saudade
de te ter.
Sei que, sobre ti e sobre tudo, tenho
muito para aprender,
Mas estar longe, afastado, já é
suficiente castigo.
Cada vez mais, experimento e sinto a
tua ausência.
Como me faz falta a tua indiferença
que, um dia,
Me vai carregar mais do que o aceitável
para a paciência.
Mas agora, hoje, neste momento, estou
possuído pela valentia
De quem ama sem passado, sem sequela;
em consciência.
Albergo a velha trama, fadada, encantada,
melosa e esguia.
Albergaria-A-Velha, 14 de Janeiro de
2001.
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