sexta-feira, 5 de junho de 2020

Um abraço intencional




Eu tenho andado, isolado e adunado, a ajudar a resolver o mundo
e descobri, em mim, seres estranhos e, eventualmente, inúteis,
que tem passado os seus dias de entendimento a ignorar-me.
Estes dias são, desde sempre, iguais, figuras diluídas e hesitantes;
uma representação vacilante de encontro e desencontro em nós.

Talvez devesse dizer, para início de verso, ou pretenso poema,
que está um certo frio, frio, onde me calo e chove dentro;
que as palavras têm criado mais sentimentos do que textos e harmonias;
que o ulmeiro deixou cumprimentos, antes de libertar a sua
aparente letargia, que não terão visto, logo no início da primavera,
logo agora que tínhamos mais tempo, num tempo que urge.


[miscelânea]
[22 de maio de 2020]


4 comentários:

  1. O frio é mais intenso quando não há abraços.

    Bom ver-te regressar!

    Beijinhos :)

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  2. chove por dentro
    e por fora

    um poema com a lucidez deste tempo estranho

    beijinhos
    :)

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  3. Vivemos de facto, tempos bem estranhos e repletos de susceptibilidades... entre o sol lá de fora... e a chuva por dentro... entre o tempo extra que o tempo nos resolveu dar... e o que sentimos que não conseguiremos recuperar... ou apreciar da mesma forma... depois de tudo isto passar...
    Bom ter-te de volta, Henrique, com a inspiração de sempre!
    Fazendo votos de que tudo esteja bem aí desse lado... deixo um beijinho e votos de um excelente domingo, bem como de uma boa semana!
    Ana

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  4. Que a chuva lave qualquer mágoa. Um lindo poema, como sempre.
    Bjks

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