terça-feira, 31 de janeiro de 2012

E hoje… (XXV)


     … Último dia de Janeiro e ainda abundam os pais natais nas varandas. Pouco mais do que uma significação, que seja ao menos uma escolha, um pouco depois do tempo, ou a margem de um descuido.

     Nada de novo.

     Dispo-me de algumas palavras e aguardo para passar depois das que transitam pela sala, de mãos dadas com silêncios, e que transportam as memorações do dia.

     Ocupei diversos desertos, onde plantei ânimos, e fechei o meu, desanimado…

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Abraça-me


Abraça-me,
Quero sentir o teu afago;
Quero ter-te comigo;
Quero ser o teu conforto.
Abraça-me!

Abraça-me,
Dá-me um pouco do teu calor;
Dá-me a ternura de quem ama.
Abraça-me!

Se o teu abraço for de amigo,
Que seja um porto de abrigo;
Um porto franco;
Um porto de salvamento.
Abraça-me,
Abraça-me!

domingo, 29 de janeiro de 2012

E hoje… (XXIV)



     …Anúncios de um cortejo, tardio, de reis, este ano, magros.

     Nova volta! A comitiva dos anjos-do-mar.

     Conforme a dedução e os primitivos indícios, a confirmação final dos personagens com vários rostos e vários papéis, onde se encontram, também, figuras isoladas, de um só semblante e sem saber como foram arrolados e associados à trupe.

     Perda! A cilada dos saneamentos sem grelha ou tampa, na via pública. Assim como a astúcia das sentenças mansas e astutas.

     Surpresas! A minha vida é uma surpresa constante. O dócil sonho e um contributo da marulhada. Quem ama cuida o objecto do seu amor, não o afugenta.

     A crença! Eu quero; bem-quero; desejo; creio; prezo.

sábado, 28 de janeiro de 2012

Bem-querer


É superior quem concebe o amor,
Ainda que só e dorido;
Quem preenche e inflama, assim,
O peito e os sentidos dessas certezas
E em desprendimento e desapego
Se entrega, protege, cuida e afaga.

Atrai-me a tua sensatez,
Insígnia de altruísmo indulgente,
De apreciação e veracidade;
Sem subterfúgios,
Sem armadilhas,
Sem desculpas,
Sem culpas;
Sem disfarces,
Sem ocultação.

Agrada-me a tua nudez,
Atributo de autenticidade,
De abnegação bondosa;
Com exposição,
Com dádiva,
Com dedicação,
Com carinho.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Breviário [XIX]


     Balanço os sinais inócuos ao sabor das ondas e da brisa húmida e fria. Enceto um diálogo mental, imaginário, e verto sociabilidade com os peixes em negação. A areia, ligeiramente humedecida, também, adere aos sapatos, resoluta em não deixar negar a presença, ainda que fugaz.

     Termo!

     Outras personagens, no mesmo lugar, disputam a atenção. Surtem o ar com vocábulos perdidos e soltos, que aparentam servir de nada e para tudo, numa elevação propositada da voz, enquanto outros, ainda, segredam e sussurram. Todos promovem, afinal, o alheamento e confinam a permanência.

     Regresso, que também é uma partida. Pelo menos um de nós conseguiu parar de falar.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

E hoje… (XXIII)


     ... O abatimento, a sensação angustiante de impotência de quem tudo pôde e não alcança. A intransponibilidade de alguns reparos. A margem, inóspita e dotada de inópia ou de consciência marginal. O longo e não rectilíneo sentido único e a paragem obrigatória no final.

     Descanso! Surpresas agradáveis e sorriso aberto, desarmado e sem investida.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Só para dizer [XIX]:


     Quando o que resta para promover a comunicação são os olhos e o olhar, e o silêncio desconcentra e desacerta as mensagens que tentam vencer os meios, sobrevêm um último conforto, num piscar que se sente cúmplice; num “adeus!”, que mais não é do que uma despedida serena. 

     Quando, por fim, ficar tão-somente a respiração, como um vínculo de vida e de transição, que mais poderei dizer-te que não te escandalize, quando apenas quero dizer que te amo e no teu discernimento sou apenas um estranho?

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Incorpóreo limite


Quem desistirá primeiro?
Se uma vida está dissimulada
E outra entre mente proibida
Se um projectar é interdito
E um desejar impedido
Se a frase formada abandonar o modo
E o estilo for de silêncio
Se num tempo de adversidade
Não sobreviver a direcção
Se no carreiro de paz
Estacionarem a última mina
Se não me sobrar pelo menos a tristeza
Na ausência declarada da escrita
Não importa o direito!

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Norma de contexto



Num dia em que as letras deixaram de formar palavras
Encontrei-te algures entre as penas de uma melodia
Nas vibrações de um ar seco de alusões de fantasia
Sobreposto às condições de vida e a subjugar lavras
A meio caminho entre a veneração e a heresia.

Pobre fragmento de coração inquieto e deslocado
Crédulo e vago no sentido de uma diligência vencida
Determinação de paralogismo e piedade estabelecida
Marioneta de um rumo constrangido e simbolizado
Para num ápice determinar a luminescência de uma saída.

Das máscaras que se transformaram em rostos
E das caras que se converteram em disfarces de paz
Retornaram os termos incluídos que refutas sagaz
Num alcance de ambições, com escolhas e por gostos
Num dia em que o sinal e a doutrina não satisfaz.

sábado, 21 de janeiro de 2012

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Noite eterna


Boa noite!

Observo o céu negro opaco da noite que traga as estrelas
O frio accionado oferta uma carência de recolhimento
Que vai além da necessidade de manter o corpo quente
Um desígnio inerente carrega e aglomera um decreto oculto
De sobrevivência sem subserviência, há muito aguardado.

Boa noite!

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Medida de tempo


Recordo-me que és, não me esqueço, também o sou,
E olho para um horizonte que não me pertence.
De lado, num lanço que a memória vence,
Importa-me menos para onde vou.
Descruzado, ao jeito de uma aparência,
Segue-me a sombra e a sombra da consciência.

O teu sorriso ainda brilha na negrura da lembrança.
Há serenidade na imagem que perdura e guardo;
Que placidamente emolduro e resguardo;
Que egoistamente quero só para minha bonança.
Já não sei se é dor ou se há dor nesta ternura,
Ou se insistir na memoração é apenas loucura.

Não alcanço os sons nem concebo o toque.
Há uma ponte que se quebrou, embora una;
Um hiato aperfeiçoado pelo tempo de lacuna,
Instituída na alusão, que viaja a reboque.
O resto diviso. Uma imagem viva
De uma presença compreensiva.

Permito-me alegrar na alegria que perde a gravidade;
Entoar silenciosamente a melopeia atenuada pela distância;
Arrebatar e apenas; embeber a antiga e a nova infância;
Celebrar em festa e sem o travo amargo da saudade.
Sem atrevimentos discorro no que por aqui me vai,
Em memória, com coragem, revisito o meu querido pai.


quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Breviário [XVIII]


     Num rascunho, uma oportunidade; num tempo, uma vida.

     Há incidentes que possuem a virtude de mudar o rumo da existência. Basta um momento efémero de modo, ou de sensatez, e o trilho sobressai, rigorosamente, no lugar onde sempre existiu. É o momento, como um presente do presente, que se impõe inadiável, indeclinável e irrefutável.

     Os percursos com consonâncias e de satisfações, ainda que tortuosos, podem conduzir-nos, mais facilmente, a destinos mais sociáveis e numa viagem tratável.

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Austeridade


Por vezes não sabemos pedir ajuda
Deixamo-nos ultrapassar pela vida
Desbaratamos um momento
Não reparamos que tudo muda
Tropeçamos e falhamos na saída
Perdemo-nos em mais um lamento
Não examinamos o antagonismo
Anuímos numa cega concordância
Abandonamos toda a elegância
E fazemo-lo para não nos culparem por egoísmo.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Descerramento


Já renascidos e restaurados os propósitos
Como provisores e grandes depósitos
Com os desígnios da recusada Lua
Com Inferno recebido e datado
Com a voragem reservada da margem
E em riste o sorriso da realidade nua
Segue em marcha de um perto destacado
Agrado de compleição e estável na passagem.

Sem jóia ou relíquia declarada
Obvio e oriento a conhecida afeição
Credível presente
Honrada e actual
Guia imediata
Salvo-conduto exacto.
Abertamente veiculador
Com um sorriso
Ninguém permanece só!

domingo, 15 de janeiro de 2012

E hoje… (XXI)


     … Pouco mais do que uma definição, um pouco aquém de uma vontade, um pouco depois da hora. Concluído e um pronto-a-pensar.

     Volto aos trilhos, sem ilusão. Sobrevivo aos pontos comuns, assim como fujo dos lugares-comuns. Fujo dos sujeitos, mas não consigo, nem quero, fugir de mim.

Quota-parte


     Mais do que uma maré de troça, permanece como uma constância e uma substância de contestação que vem e vai, de igual modo que os sargaços ao sabor das ondas. Mas não passa de uma repulsa empertigada. O flamingo-dourado é da mesma opinião.

     Horas, uma poção e uma porção de oportunidades. O moliço agudiza a objecção, embora embrenhado na tarefa de subsistir sob a contaminação que exorta em recusa. A água deixou de ser cristalina, continua a ser salina.

     Vontade! Desconsidero os símbolos de gerúndio gentio, os prefixos e os símbolos de ligeireza e mutabilidade procedentes da chegada da trachea atriplicis*, carregada de memórias do Vouga. Porque vem a assombração da borboleta, uma e outra vez, escarnecer sobre o confluir na Ria e o desembocar no mar? Talvez o mofar seja próprio da sua natureza, que não julgo, não detesto e não ridicularizo, mas não adoro, não reverencio e não amo.

     Agarro-me ao hífen sem grandes pormenores, enquanto os advérbios descansam, absortos do lugar, do tempo, do modo, da intensidade, da dúvida, da afirmação, da negação, em palhas e abraçados aos adjectivos.

     O néctar das flores permanece como caução de subsistência primitiva. Gosto das flores e é por gostar delas que não as colho!




*N.A.: Borboleta nocturna da família das noctuidae. 

sábado, 14 de janeiro de 2012

Breviário [XVII]


     Peste, guerra, fome e morte. Peste, Guerra, Fome e Morte. Suspeito dos quatro cavaleiros em totalidade simétrica. Repetem-se em demasia, e todos trazem morte. A Morte, afinal, é recorrente.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Paulatinamente


Cedo, desobrigado, e desço a rua,
Acompanha-me uma sombra tua,
Desejo corresponder aos teus sorrisos
E cair no paradoxo de querer estar só e contigo.

Cedo, desobrigado, e desço a rua,
Com um pedaço generoso da Lua.
Pretendo capitular aos factos concretos,
Com benquerença e eximido.

Cedo, desobrigado, e desço a rua,
Segue-me uma bênção imune e crua
E antes do virar da esquina de Marte
Descanso junto à Ria, na tua memória.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Mães



Letras, palavras, frases, versos, rimas, sílabas métricas, poema e poesia a parte, ressalvo a vontade de manifestar o meu maior apreço, o meu mais nobre sentimento, a minha mais pura admiração e veneração, perante dois dos grandes pilares da minha existência. Pode ser escasso o meu tempo, e pese embora o anonimato e o ser comum, não quis deixar de partilhar convosco uma genuína verdade de uma humilde dedicação.



Para além de um anónimo festejo

Em compensação tenho duas grandes Mães.
Sim, querida avó, és tu minha Mãe também!
Para além do banal do ritual dos pães,
Amam-me, e deveras, como mais ninguém.
Sei que ausente também estou presente,
Sei que maduro ainda sou preocupação.
E sinto-o como um filho sabe e sente.

Há o passar das muitas noites veladas,
De guarda, em cuidado e desassossego,
Mal dormidas, sentidas e choradas.
Horas de grande apoquentação e apego.
Lágrimas por dolência e por alegria,
Derramadas com semelhante fervor,
Enxutas pelo abalo de nostalgia.

Recordo e acarinho as ternas vivências
Que fermentaram o meu crescimento,
Um pacato recanto sem audiências,
Mas tanto e tão meigo contentamento.
Grandes Mães, primeiro alternadamente,
Logo em simultâneo, sem competição,
Cada geração com a sua semente.

Para além de um anónimo festejo,
Amo as duas, neste período sem amor.
Agradeço-vos a vida e o desejo,
A bondosa dedicação sem favor
E toda a fortuna dos sentimentos.
Aninho-me na afectuosa lembrança
De tantos e tão extremosos momentos.

Honrarias, flores ou beijos nada são
E de nada valem, nem interpretam,
Nem representam a séria sensação
Que tais puros amores acarretam,
Que outros, espontâneos, despertam e ateiam.
Amores, dos amores desprendidos,
Que só as mães conhecem, ensinam, semeiam.



     - Hoje, sem mais palavras, com muito amor!

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

E hoje… (XX)


     … Estimo que há uma amálgama de sentidos, de sensibilidades, de sensações, de aparências, de ocasiões, de contextos, entre outros, a desembaraçar e a desconsiderar entre a verdade e a mentira.

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Quietude


     Pejam-me sentimentos com sinais sem termos, sem divisas, sem lemas, sem prazos. Imagens completamente desprotegidas e desveladas. Testemunhos inexpressáveis, inexplicáveis e, contudo, presentes, que são arrumados, num acto de desprendimento. Hoje, não!

     Rodeiam-me as palavras aromadas, que dispo, e as que circulam e alternam com os silêncios e circunstâncias formais. Visto o aconchego que retiro dos sossegos previamente aquecidos e afago-me com a serenidade do recolhimento.

     Guardo a vontade de escrever versos que apenas rimem com pão e esqueço uma pátria de exilados sentimentais. Colho a vontade de descansar, encolho a necessidade premente, reduzo a existência e o dia à sua dimensão e não peço indulto por não ser imenso.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Só para dizer [XVIII]:


     As cabras, camaritas, subsultam espontâneas, num afã de excitação imprevidente, mas pleno de contentamento e agrado. E as gaivotas famintas.

     As gaivotas que também são agiotas. Ei-las ávidas e generosas; sôfregas e misericordiosas; alimenta-se e deixam viver.

     O Mar apaga o meu rasto, tanto quanto pode e alcança. Tantas vezes jurou levar-me, tantas quantas as vezes em que me devolveu.

     Transparente. O regresso à beira-mar, ao meu raso de areia sem rasa, à minha concha vaga; sem fé em vaga ou maré.

     Talvez a afinidade necessite de afinação ou afirmação.

Soltas à solta


     Notas soltas… Pontas soltas… O conhecimento de um dia sem arbítrio, sem termo, na ciência da memoração; num lapso que se repete, repisa e rediz. A concepção do tempo e da sua duração frustrasse, dissipasse, extinguisse, em mim, e regressam, uma e outra vez, as distâncias, os intervalos, os hiatos, ligados por velhas, e já assinaladas, pontes elásticas sobre linhas de água sem paralelo.

     Quero a serra e o mar. Talvez devesse viver numa ilha, mas como pode uma ilha viver em outra ilha?

domingo, 8 de janeiro de 2012

(Al)Faia


Foi pacificador sentir a abnegação à dimensão,
O adocicar e o abrandar do desvario de alma insegura,
No vórtice contínuo desse sentimento de faial.
Assenta como um dom, uma força poderosa;
Unifica-se em silêncios e termos,
Onde por vezes não e necessário verbalizar.

Sonhos!
Perguntam-me quem não os têm
E pergunto-o eu também.
Por vezes não são necessárias mais do que simples palavras,
[Amo-te] Quando espontâneas e experimentadas.
Não são necessários outros pesos, outras medidas,
Nem histórias extravagantes, ou docemente macabras.
É um simples sonho que simplesmente não o é
E que sendo-o tão simples como o é verdadeiramente,
Poderia não o ser e simplesmente continuar a sê-lo.

sábado, 7 de janeiro de 2012

Serra


Num presságio de tempo, os cúmulos distintos, tingidos
Pelo resquício luminoso de cor púrpura, irradiado
Por um Sol já ausente, exageram o espectro derrotado
E arremeto para de novo retroceder sobre a colina dos vencidos.

Augura, num murmúrio, um conjunto de rochas de sentidos,
Que não me recorda, e espalha alguma glória no vento irado,
Frio, que me instiga, e acaricia as pedras parideiras do lado.
Insurrectas e zombeteiras, espalham amores de mouros perdidos.

Numa medida esquecida, a apoteose dos relevos naturais,
Embora profanados pelas reentrâncias inscritas,
Designam e chamam trilhos de outras naturezas e de outras desditas.

Apontam-me, na partida, listelos de exilados dos natais
Que no seio do céu escuro tentam encontrar instruções teatrais.
Adivinha-se o rocio. A cascata sussurra que já não quer mais visitas.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

E hoje… (XIX)


     … Talvez devêssemos estender a indignação aos que nos rodeiam. É cómico ver como uns se constroem desconstruindo outros.

Só para dizer [XVII]:


     Memórias que hospedam troça e descaro, mas que sustentam a dignidade. Tenuemente opaco. Vagamente preenchido. Não transporto objecções, explicações, justificações ou razões. Digo.

     Amo, mesmo a tua falta de memória. Amo, mesmo o teu silêncio.

     Nestes tempos, na liça da existência, existência manifesta ou amorfa, qualquer afeição se transforma numa acção temerária, audaciosa. Acções que na realidade empossam intrepidez e graciosidade, mesmo no ser mais torpe, quando ser não basta; quando torpe é a definição do afecto, do amor, da amizade.

     Tenho a convicção de que gosto de ti e a quase crença de te alcançar e sentir.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Patente


Pondero.
Perdi a homógrafa dita
Nas alienadas massas de falácias
Que não quero.
Saliento a urbe aflita
Que transporta contumácias,
O indeclinável ónus da contenção;
A inatacável carga de agitação.

Por certo, não há momento oportuno
Para a derradeira palavra,
Nem para o que serve de emposta.
Comovente, alegórico e uno,
Desce a quimera macabra
Numa humanidade disposta
Em falsete a prazo,
Em jovial acaso.

4 de Janeiro de 2012.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

E hoje… (XVIII)


     … Caretas e sobrecenhos! Mitigo o frete decretório dos anais divisos com sorrisos!

     Reparto as formas visíveis e as invisíveis. Com nitidez, traço a grandeza da coerência e da lucidez. Não me falta arrojo, falta-me o chão.

domingo, 1 de janeiro de 2012

Abertura

Abertura
ou
Primeiro dia

E num primeiro dia de ano novo,
Com a antiga Lua recusada,
Com o desusado Inferno recebido
E com a margem em abismo,
Restaurei a possibilidade de sorrir.

Com todas as relíquias e antiguidades,
Sem reclamação ou manifesto,
Dirijo o anónimo bem-querer,
Hoje plausível;
Agora mentor;
Presentemente límpido;
Notoriamente condutor
E riu!

01 de Janeiro de 2012.