sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Borboleta (1) - [Borboleta Zebra]


Família: Papilionidae; Espécie: Iphiclides feisthamelii ou Iphiclides podalirius
Borboleta Zebra - Família: Papilionidae - Espécie: Iphiclides Feisthamelii

Família: Papilionidae; Espécie: Iphiclides feisthamelii ou Iphiclides podalirius
Borboleta Zebra



Família: Papilionidae; Espécie: Iphiclides feisthamelii ou Iphiclides podalirius
Borboleta Zebra





Grupos Taxonômicos     
Família: PAPILIONIDAE

Descrição da sub-família:
Os Papilionidae pertencem à superfamília Papilionoidea. As caudas-de-andorinha compreendem aproximadamente 560 espécies. São os mais frequentes nos trópicos, e suas cores brilhantes fazem com que sejam os favoritos de entusiastas da borboleta. Muitas espécies dos caudas-de-andorinha, especialmente nos trópicos, imitam outras borboletas que são venenosas para os pássaros e outros predadores vertebrados. Os adultos de caudas-de-andorinha são médios a grande e podem ou não ter caudas. Todos os caudas-de-andorinha têm três pares de patas e todas as espécies visitam flores para se alimentarem do néctar.


Mais informação: Borboletas de Portugal.


quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Estava a pensar


Resisto ao vento
Não escuto o marulhar
Ignoro a maresia

Procuro a salvação num poema
O socorro e a serenidade
E adivinho-te perto
Tão próxima

Desenho as letras que pintam os termos
Sem fins que não o do bem-querer
E distingo-te as formas
Que experimento de olhos fechados
Só assim te tenho neste momento

Provo um sonho ocupado
Num santuário de sentidos
Promovo um desejo completo
À potência de força de atracção de um universo
E por cada pulsar sinto a tua entidade
Plasmada no meu íntimo

Entoo uma balada emocionada
Com a voz comovida
Com o corpo arrepiado
Terminantemente desafinado
Numa declaração sem caligem
Em concepções amplas e sem fisga
De vontades apertadas e claras

Percebo os jeitos
E os trejeitos
Compreendo o assédio do jamais
Entendo a vizinhança do nunca
Num esboço de astros tingidos de amor
Com reflexos de uma panaceia
Concebida por alquimias esquecidas
E que possuis por aura

Consigo sentir-te na ausência
Nos espaços em branco de uma folha vazia
Na carência de notas e pontuação
No magnetismo de um apontamento
E o fervor do anseio e ânsia
Descrevem a força e a importância
Das sensibilidades e sensações despertas
À luz do luar próximo da lua cheia
No universo que é tudo para nós


quarta-feira, 29 de agosto de 2012

terça-feira, 28 de agosto de 2012

Vou

No dorso de um sonho de água
Montada numa vontade de brisa,
No momento em que não há Lua ou Sol,
Solto um brado de azul
E um suspiro verde e alcalino.
Contenho um olhar de mar e toco-te.
Reproduzes a música serena de arrebatamento
E toco-te, de novo, em branco.
O som espraia-se na areia da existência
E volatilizas o discernimento da altura
Que condensa a minha vertigem.
Não fosse uma fantasia,
Cairia no fundo da cascata do êxtase
À hora rala dos arrepios antecessores.
Lês a calma e a tempestade dos bardos
No tom compassado de um ritmo,
Ternário, a compasso de bola de sabão
E tocas-me no âmago de um afecto
Exposto e inquieto.
Não grito,
Fui apanhado a sorrir
Nas tornas mudas do retiro
E retiro o lume de uma quimera,
Tão lisa e empolada,
Tantas vezes silenciada,
Que se comprime numa atmosfera,
De vida, entre outros dois mundos,
Paralelos, verdadeiros e concretos.
O arco de boca lança um beijo,
Ardente.
Vou, de novo,
No dorso de um sonho de água
Montada numa vontade de brisa.
Enrolam-se mãos de estonteamento
No gosto das divisões e permutas de alma,
Desejo de muitas contas e motivos,
Quando caem as lágrimas de devaneio de costas cansadas
Que cavalgam a escolha de uma aragem mortiça.
O respiro de um sujeito sem predicado
Que se arroja num peito de utopia
E o teu peito no meu peito é uma pauta
Com uma textura de canções de amor.
O amor, de novo amor,
O pouco de nada e o pouco de coisa nenhuma
Fixo numa tela onde pinto abraços que libertam.
O ensejo serôdio agarrado a um círio longínquo,
Nas voltas que respiram a regresso,
E as nuvens purpura que falam de nós em nós,
Em braços que tecem laços.
Roça o vento a destempo numa sucessão de carícias
Que me lembram o abismo e o medo,
Que furta os sonhos,
Na melodia plácida e laranja das evidências.
De outro modo crescem as heras,
Em eras e em muros,
Num intervalo de tempo sem data, sem prazo.
Vou,
Talvez às costas de um dia amarelo,
No átomo que me identifica,
Na essência que me compõe,
No dorso de um sonho de água
Montada numa vontade de brisa.
Fico na hora de acordar,
Próximo das linhas que arruínam a paisagem.
Tomo, sem parar, duas ou três ruas de desejo
Que se envolve em muitas histórias de engano;
Levo a patente à calçada de vago acordo
E ando até ao fim do mundo, que raso,
Antes de recolher o rubro do teu encanto
Que apenas logro imaginar.

Aligátor-americano


Ordem: Crocodylia Família: Alligatoridae
Aligátor-americano (Ordem: Crocodylia Família: Alligatoridae)



Dragão-de-komodo


varano
Dragão-de-komodo


varano


domingo, 26 de agosto de 2012

Breviário [XXIX]



     O que somos, nos expõe e define, na realidade, é a nossa actuação quando julgamos estar absolutamente sós e julgamos que absolutamente ninguém (e por vezes nem mesmo nós) nos está a ver.



sexta-feira, 24 de agosto de 2012

A ria sorri


A ria sorri, sim. Convida-me e dança. Insiste!
(Talvez algo em mim esteja moribundo e resta.)
É a cumplicidade natural dos agonizantes que atesta
Os finais das partes, ou do todo. O silêncio em riste.

Mas sou um corpo estranho que não desiste.
Ou serei a resistência? Não reconheço o que se manifesta.
Tudo em mim é vontade, verdade e aresta.
A ria sorri, em vida que encerra mortes. É triste!

Não faltam os testemunhos e a assistência;
Juízos de sensatez e propósitos de conjectura.
E a ria liberta-se do odor dos dejectos da aparência.

Parece que sempre fiz parte desta desventura,
Há demasiada vida na morte que infesta a existência.
A ria sorri num esgar próprio dos finais e da minha loucura.


quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Natureza morta


Natureza morta
Ou
Não foi

Não foi um hiato
Não foi uma hora
Não foi uma ponte
Não foi uma estrada
Não foi uma cópula
Não foi um engano
Não foi uma ilusão
Não foi um vício
Não foi um capricho
Foi acima de tudo
Foi

E acima de tudo dura
Existe sem existir
Vive num plano extinto
Acocora-se e ergue-se
Mas não é

E ninguém sabe o que ficará
Nem interessa alcançar
Nem isso derruba
E será


À volta e em volta



     Por momentos, o meu horizonte fixou-se entre a ria, o meu sorriso e uma cauda de condensação. Um quarto de volta e ficam invisíveis.

     Uma aranha passeia-se num início de teia, à volta e em volta da sua solidão, onde parece ocupada. Não acredito que esteja a fingir. Talvez esteja cansada, como eu, que a deixo em paz, na sua paz, de momento, hoje. Um quarto de volta e fica o descuido.

     Quero apoiar a cabeça na inércia do sono sem sonho, antes do momento da noite em que as palavras, os objectos e os seres se fundem e confundem. É um momento fugaz, efémero, subtil, quase imperceptível, mas quando se distingue, interioriza, compreende e discerne, deixa uma marca indelével e inesquecível. Bem sei que a duração, o tempo, o momento, são unidades de medidas relativas, dimensões condicionadas. Um quarto de volta e saiu do vórtice.

     De manhã chegará a obstinação do acordar e do desejo, antes do cansaço. Desejo controlar o momento, o sorriso, a energia e ser. Um quarto de volta e existo.

     Insisto, regresso ao meu horizonte, a ria, de factos invisíveis, de descuidos, de vórtices e de existências.


terça-feira, 21 de agosto de 2012

Gaivota (1)













Essência


Eu tenho paciência

Os rios sobrevivem às lágrimas ocupadas
Por falsas e pintadas bruxas de insegurança
Que se sustentam numa ténue esperança
E em torturas de despedidas fabricadas

Ensina-me a amar

Ornam-se borboletas azuis errantes
Sacrificadas por palavras mascaradas
Que convocam e seguem as emboscadas
De políticos corruptos e de falsos protestantes

Ensina-me a ser amado

Esperam com os salgueiros nos combros
Porque as demagogias insuspeitas
Abateram as democracias imperfeitas
Em teses organizadas por escombros

Eu acredito e aconchego

Segundam informadores diminutos
Em jargões modelados e acabados
Os eleitos em leitos de quartos ensopados
Contrastam com os leitos de rios enxutos

Mas não luto contra a natureza


Observar com contexto de lugar



Observar com contexto de lugar
ou
Estar fora

     Preparo-me lenta e calmamente para a sorte, com destino e sem destino. Estou cansado, em comparação com os fatigados.

     Lavei as mãos, que escreveram as últimas palavras na areia, no mesmo mar que lavou a areia e que apagou, da areia, as últimas palavras escritas pelas mãos lavadas. Isto aconteceu há uns dias e não lavei as mãos, precisamente, fiz com que a água salgada retirasse a areia que se fixara nas mãos, mãos que ficaram com o seu gosto e odor, o gosto e o odor do mar. Não ficou o seu som e, por bem, não se fixou qualquer cor. Não transporto o mar nas minhas mãos, embora o tenham, mas possuem um mundo, vago, com vários mares e marés.

     O mar fala-me sempre que me vê, não me diz o que quero ouvir, diz-me o que quer e o que lhe convém. Sem própria boca, ele não tem os seus próprios olhos, mas tem olhos próprios e boca própria. Ele tem ondas, quase sempre, e eu faço algumas, de vez em quando. Sei que somos amigos e por vezes, por vezes, zangamo-nos, mas devolveu-me sempre, assim como devolve algum lixo. É estranho lavar-me num amigo, que, de alguma forma, me suja e lava quando me molha e me lava sem me molhar.
  
     Prevarico, tomo banho todos os dias, pelo menos uma vez, quase sempre de manhã, não no mar e a areia não sai.

     Estou sentado, não há mar, não há areia. Não é tarde. Chegou a hora de entrar decididamente no destino que não existe e que se produz, depois de abrirem a porta.

     Abrem a porta.

     Os olhos adaptar-se-ão ao novo ambiente, à nova luz. Hei-de me erguer definitivamente, e os olhos comigo, em silêncio e com um esforço de esboço de sorriso ligeiro, para desabar desassombradamente no mar.

     O que importa?
  

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Sopro de perspectiva


Não vamos atormentar o povo.
Dá-me a oportunidade,
Devolve a tua saciedade
Ao velho e ao novo;
Devolve o íntimo, o contorno
O frio, o quente e o morno.

O legado de termos silenciados
Permanecem agarrados
A este corpo encorajado
E desembainhado
De divisas, lemas,
Quimeras e diademas.

Senta-te junto a mim,
Abraça-me,
Enlaça-me
E olhemos para o horizonte,
Sem fim,
Assim.
Deixa que te conte
O que há em mim,
Vento,
Entre desejo, sonho e sentimento.



quinta-feira, 16 de agosto de 2012

O vazio do Rossio




Aveiro - Rossio, Rua João Afonso
(vista parcial)


E hoje… (XXXVII)


     …Circulei e tracei uma recta. Cruzei caminhos e vidas de braços cruzados, com os meus braços abertos e dei o braço a torcer.

     Nada de novo para conjugar. Tagarelei com poucos e falei com menos, ainda.

     Não lamento a vida e não sei se a vida me lamenta.


terça-feira, 14 de agosto de 2012

Chaminé (1)


chaminé



Breviário [XXVIII]


     A amizade não é uma campânula, um reservatório ou uma jaula. A amizade é uma presença benigna, mesmo quando não está.


Moliceiro - proa


humor
Proa de moliceiro- Aveiro, Cais dos botirões


E hoje… (XXXVI)


     … Fatigado à chegada, ao intervalo para café, ao almoço, ao novo intervalo para o café, na deslocação; satisfeito à saída, ainda que sem vontade.

     Uma palavra fugaz, beligerante, impelida ou expelida, e já não está. Cansam-se as palavras e canso-me eu com elas. Quero arruma-las, mas elas saltam e fogem dos lugares. São daqui e não são de qualquer lugar; são minhas e não me pertencem; são e não são.

     Não queria conduzir e estou convencido de que os caracóis não possuem buzinas ou campainhas. E buzinaram-me por andar a cinquenta quilómetros por hora dentro de uma localidade; ultrapassaram-me pela direita, na facha de emergência de uma estrada nacional. E vi seres estranhos, talvez com antenas, alguns animais e comedores de substâncias segregadas pelas mucosas nasais ao volante.


sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Contentamento


Trago a Primavera, por fim.
Não uma Primavera importada,
Mas a minha Primavera, amada.
Rufam o tambor e o tamborim.

Pulem e dancem por mim.
Desarmem a amargura irada,
Insubordinem a ânsia apaixonada,
Corram e corem até ao carmim.

Talvez seja uma insignificância,
A alegria difusa e diligente,
Mas que não seja uma implicância.

Trago o desassossego contente,
A ferida cauterizada e, sem ânsia,
Rumo, quem sabe, ao próximo incidente. 

O outro Aurorar (3.1 - Concluído)




quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Cavalete da esquina, talvez uma face saliente



     Para trás ficou a areia, onde escrevi uma palavra uma última vez. Não há purpurinas; não há distorção. O hálito gasto do dia mistura-se no ar saturado do planeta e no odor da ria. Nas minhas mãos trago o alegre vazio, que exibo.

     Termina um dia que encobre uma noite com absurdos e alguns disparates, que, prolongados por uma noite, ocultarão, por sua vez, um dia.

     As memórias criam uma existência e uma ambiência e, por vezes, pairam no ar como um corpo que flutua, num misto de diversão e sofrimento. As memórias também mentem e há momentos em que aparentam querer mentir deliberadamente.


Gato (II)


gato



quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Poste de amarração (1)


Poste de amarração - S. Martinho do Porto



Vago


     Depois do depois, vem o nada da presença e o nada da ausência; o peso incomum do tumulto das palavras amontoadas e a ligeireza descomunal do motim do silêncio. Cresce a poeira formada pelos sonhos, assim como os erros das recordações e das memórias.

     Em breve termina outro repto e está garantido o êxito do insucesso e o [meu] consequente triunfo. É necessário afastar a jardas de metáforas e recolocar os alforjes e as albardas para prosseguir.

     Entretanto, o génio cai por terra pelo compreensível, simples e eficiente feito e acção da passagem da época, da fase, do tempo e dos tropos. Por analogia, expurga-se a condenação do Sol e apressa-se a corrosão do ritmo, da existência e das figuras de pensamento.

     Habita em mim um Mundo que foge do Mundo onde habito.