sexta-feira, 21 de abril de 2017

Ocular



Terão nome, os meus olhos 
que entregam os sinais de primavera? 
Serão janelas 
por onde entram o declínio da luz, 
as imagens dos contornos, 
os medos dos pássaros, 
ou o furtivo dos gatos? 

Sou um pouco mais do que eles, 
os meus olhos, 
que são os de quem, por bem, os procuram, 
sílaba a sílaba, 
em espirais de palavras voadoras, 
os versos. 

Poderão ser espelhos que eu não vi, 
os olhos, os meus. 
Talvez neles consigam lavar as mãos 
ou deixar a dúvida que balbucia a chuva 
dos olhos, dos meus olhos, 
onde sonho os dedos, os meus; 
onde acendo o corpo, o teu.  


 [sobrevoo]



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