sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Pressuposto de panaceia


Amadeo de Souza-Cardozo - Par impar


Pressuposto de panaceia



As promessas de vários gumes estavam cravadas
Nos vocábulos mansos de um eixo bravio.
A aliança pendia livre, presa num curto pavio;
Fendida por desconfianças e ofensas agravadas.

O viço das coisas belas e das realidades amadas
Era um denso nevoeiro de prata, sem brio.
O pino da Primavera formava um imenso vazio
E o laço soltava sensibilidades antes ignoradas.

Pejado de ensejos de profunda comiseração,
Corre, pautado, um arroio pardo, sem registo,
Ao encontro do manancial de consolação.

Eis o prémio reconhecido de uma vida de imprevisto:
O amor pungente, pingente de oração;
Vereda sinuosa e melosa na arriba onde resisto.

Nariz, 24 de Maio de 2010.


1 comentário:

  1. Sabe onde posso encontrar uma interpretação generalizada desta obra?
    prodanyntr@hotmail.com

    ResponderEliminar