quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

acordei o poema




longe 
cada vez mais longe 
acordei o poema 
onde tudo termina em silêncios 
numa folha solta do destino 
talvez seja eu a chegar cada vez mais devagar 
a essa linha que os olhos devolvem ainda 
com a mesma nitidez 
numa história que de perto se vai turvando 
ou talvez a minha percepção tenha evoluído 
e tenha recomposto a noção do tempo 
que demoro a percorrer esse mesmo espaço 
onde a tempo abro palavras fugidias 
que a espaços me levam a pairar 
enquanto me perguntam gravemente 
e entre sorrisos cúmplices e mordazes 
pelo sentido da minha vida 
ao que absorto eu vou retorquindo 
entre sorrisos que me dançam o ar 
«tudo à volta de procurar, sentir e voar…» 





5 comentários:

  1. Canções de ninar costumam adormecer os infantes.
    Esse seu poema acordado, é uma belíssima canção que desperta...
    Um beijo!

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  2. Adorei o poema! :)
    Reflexivo e introspectivo mas, com uma deliciosa dose de sonho e elevação de ideias, sentidos e sentimentos.
    Cativante! Para reler, como sempre.
    "«tudo à volta de procurar, sentir e voar…»"
    Bjks

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  3. [ ternura a cada passo
    e lembrança,
    no nascer e morrer diários]


    liindo teu poema,

    abç

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  4. A imagem dura é o contraste de versos acordados que nos dá a sensação de planar .
    Gosto Henrique
    abraço

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