quarta-feira, 28 de maio de 2014

urbe XXIV




quando acordo nos dias em que ainda acordo 
ainda sinto que disputam um ermo no jardim 
não sei em que altura se cansaram os jardins 
mas estão cansados e têm a certeza da morte 
e por ali plantaram com amor o amor eterno 
com toda a cidade pela frente e pelas faixas 
exposto ao vento apalavrado para o princípio 
e à maré prometida para antes do termo 
bem sei que nem todas as estações correm
à feição das circunstâncias que se abreviam 
que o amor não é um indivíduo sedentário 
e que os jardins são locais pequenos demais 
para mostrá-lo na linguagem dos sentimentos 
na ligação afectiva que se abraça de facto 
onde um sonho é simplesmente o sonho 



2 comentários:

  1. Jardins mortos... sao coraçoes sem sentimentos...

    ResponderEliminar
  2. mas os sonhos, por vezes ganham asas e esvoaçam por esse mundo além....

    :)

    ResponderEliminar