sexta-feira, 23 de junho de 2017

Progressivamente denso



Agora, o mar passeia-se pela cidade: 
a minha cidade, um certo odor a mar. 
As palavras chegam cruas e entram-me 
pelos olhos fechados, numa tarde 
que também se vai fechando, 
com prenúncios irremediáveis 
de que virá ainda mais vento 
pelo meio do amor que tenho 
pelos gatos e pelos cães abandonados, 
para me açoitar o sono, 
como os fustiga, a eles, cães e gatos, 
e ao fio da sua paz. 


 [sobrevoo]



2 comentários:

  1. E nos nossos momentos de insónias... sentimos a mesma paz... dos gatos e cães abandonados... é um facto!
    Pedaços de realidades distintas, num mix perfeito... e que fazem todo o sentido... neste teu denso poema, que nos faz pensar!... Ainda que leve, no número de palavras...
    Que bom que estás de volta... e eu também, por aqui... :-)
    Beijinhos! Feliz semana!
    Ana

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  2. Lindo poema, cheio de sentimentos e preocupações com os animais.
    Também as tenho.E sofro quando vejo quantos abandonos, tanta crueldade.
    Já seguindo. Parabéns.
    Abraço!

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