segunda-feira, 12 de setembro de 2011

De passagem



     O rosto. Um rosto familiar, latente, numa expressão que não consigo descrever. Consegui vislumbrar todo um vulto cansado no reflexo, enquanto lavava as mãos de uma parte do dia.


     De seguida, já só com imagens alheias, passou perto a vulgaridade de um despacho distraído, pairou no ar saturado de odores de iguarias e, por fim, desvaneceu-se pela chegada de outro motivo de meditação. Consegui sintetizar a minha observação. Anotei uma deslocação apressada num sentimento expresso e aclarei alguns sentidos enquanto me deslocava. Próximo, um pardal ardiloso procurava o sustento, para si e para os seus, que não se encontravam muito distantes. A ousadia, o sentido de oportunidade, o sentido prático numa cena tão ingénua e tão calculada.


     Dilui-me na passagem.

Breviário [IV]



     Vi indivíduos com ideias curtas a criticar indivíduos com cabelos compridos.


     

domingo, 11 de setembro de 2011

sábado, 10 de setembro de 2011

Metáfora


     Encontro-me a matar o tempo. Um curto-circuito num desabafo. As metáforas são um terreno fértil, por parte dos receptores e/ou dos emissores, na origem e/ou no destino, para a crítica jocosa, para o escárnio, para mal-entendidos. No entanto, gosto das metáforas. Gosto da sua astúcia e subtileza. Preocupa-me quando procede de um aprisionado, de um censurado, de um amordaçado.

     Não interessa se em letras de ouro ou por pessoas de letras grossas, entendo quem não compreende uma metáfora, assim como, entendo quem interpreta uma [metáfora] literalmente. A minha tolerância é uma enorme planície, com algumas, pequenas, elevações e, pequeno, depressões, é certo. Há dias mais amargos.

Breviário [II]



     O dia foi demasiadamente conciso e eu fui excessivamente longo.

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Instantâneo diferido



     Momentos. Revejo alguns negativos, tiras antigas de filme fotográfico, revelados mas não divulgados. As suas manchas ganham vida no meu cérebro, e crescem lembranças, momentos, histórias. A profundidade de campo, por vezes diminuta, revela novos incidentes ou confirma a profundidade e a elevação das recordações.


     Os pequenos espelhos transformam alguns retalhos de vida. Nivelam a sua importância para uma zona mais neutra e diluem-se numa diferença de cor e na presença da imobilidade. Outras fracções de existência, vistas por este prisma, agigantam-se ou diminuem.


     Crescem e afrouxam sorrisos; desaparecem, ou despontam, embaraços, vergonhas. Memórias.


     No fundo, revejo alguns positivos.

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Breviário [I]


     … Mais cartas de amor: Contas!

     (Sem rezas e embora repetitivo, ainda não encontrei uma [conta] que fosse repetida, o que poderia ser bom, mas, também, poderia ser um mau testemunho.

     Haja!)

terça-feira, 6 de setembro de 2011

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

E hoje... (V)



     ... Desvio-me de alguns advérbios, dos absolutos e questionáveis: "sempre", "eternamente", "jamais", "nunca"...

sábado, 3 de setembro de 2011

Em modo de observação



     Uma mulher puxa, sem violência, uma criança pela mão, não porque esta, criança, não consiga acompanha-la, creio eu, mas, porque deixa para trás outros interesses ou outras vontades. Muitas vezes somos arrastados, ou deixamo-nos levar, ou queremos ser puxados: com alternativa, ou sem opção, ou alheados; por bondade, ou por poder, ou por distracção; por pessoas, ou por circunstâncias, ou pelo tempo, ou por vontades.


     Os cenários e as variáveis desses percursos podem complicar-se, multiplicar-se por diversas combinações. Não me apetece dissecar as idas na enxurrada ou contra a corrente, deixo o tema numa gaveta próxima. Quero absorver as cores, os movimentos, os odores, as sensações. Contemplação.


     Mais crianças seguem de mãos dadas, felizes, indiferentes ou contrariadas; em duetos ou em grupos. Por outro lado, por outros motivos, também há pares de jovens e/ou adultos que circulam de mãos dadas, possivelmente, por vontade de materializar a união; um simbolismo da caminhada conjunta, una, indivisível, de um só sentido; um estado de fusão. Indivíduos unidos sem distinção de género, raça e credo.


     É um ponto de partida e/ou de chegada.


     Haja paz!

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

E hoje... (IV)



     ...Pergunto-me se estou feliz. Porque me perguntam se estou feliz?


     A dona aurora serenou a jornada nocturna: as espertinas, os sonhos, as dores. Não colheu alegrias.


     A matéria ainda não acordou, em definitivo, substância que consubstancia o estado com a aparência e a apresentação. Acresce o cinzento uniforme, que cobre o céu, e a humidade homogénea, que carrega o ar, e fundem e formatam o dia, que não é inferior por ser o segundo. Os regressos são, não apenas, viagens.


     Inspirar, contudo, e exalar, sobre tudo, o bem-querer. Há diligências e percursos a traçar, a trilhar e a libertar. Há o «deve» e o «haver». Há vida. Haja paciência!