sexta-feira, 5 de julho de 2013

O açude ocidental




De acordo, Dassiano, falemos do que adenso.
Eu sei que, por vezes, me condenso;
Por vezes, a minha voz fica embargada,
Com palavras presas por, ou a, um nó, na garganta,
E o silêncio aparenta uma cilada.

Por vezes, as minhas palavras insistem
E o seu eco devolve coisas que não existem.
Não são os meus olhos que fingem,
As palavras pesam sempre mais para quem vive,
Apenas, e só, com, e por, elas, que, por vezes, não tingem.

O meu mar de palavras não desiste.
Eu tenho o direito de ser triste,
Tanto quanto de ser, ou querer ser, feliz.
Sei que eu quase não durmo com a cidade,
Quando a cidade dorme, e a minha noite não condiz.

Eu estou acordado enquanto sonho com ela,
Apenas numa efémera janela.
Perde-se o paralelo. O meu nome não interessa.
Existem circunstâncias em que as palavras não atingem
E os pombos alimentam-se da promessa.


  [21 de Junho de 2013]


2 comentários:

  1. Este comentário foi removido pelo autor.

    ResponderEliminar
  2. promessas, sonhos, voos, por vezes umas migalhas, palavras os pombos como os espantalhos não entendem, mas sentem o nó na garganta mesmo que a cidade se encontre dormindo
    beijinhos

    ResponderEliminar