segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

No rebordo da cidade


Em algumas noites, alguns canais da ria assemelham-se 
a profundos corredores de casas antigas, cheios de névoas 
misteriosas e intangíveis, e adquirem a dimensão do infinito. 
As madeiras, dos seus ocultos cais, rangem como os velhos 
soalhos agarrados à noite, à mercê das reticências térmicas. 
Sim, nessas horas são reticências, ou seja, um pouco depois 
do céu se repetir no espelho de água, como uma saudade 
sólida. E tudo se pode agigantar para os que assistem sós, 
ou pouco acompanhados, e à proporção dos seus próprios 
receios. A não ser que estejam envoltos ou desprevenidos 
numa qualquer saudade, porque, tudo aquele cenário é, 
não por um acaso, apenas: saudade. 



 [massivo]



5 comentários:

  1. Saudade... uma pequena palavra... onde cabe um caudal tão grande de sentimentos...
    Fizeste uma óptima abordagem, através dos olhares que a tua cidade proporciona...
    Beijinhos!
    Ana

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  2. Henrique, servi-me de um dos teus magníficos poemas, lá no meu canto!... Espero que não te importes...
    Tem uma ligeirinha alteração em relação ao original... depois tu certamente a descobrirás, e me dirás se desejas que reponha a versão original...
    Também foi traduzido, e como as traduções são sempre muito questionáveis, se desejares que altere algo nela... é só dizeres-me... :-D
    Beijinhos!
    Ana

    Os teus posts de Novembro... não estão esquecidos... assim que tiver um tempinho...

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  3. Era isso mesmo que me suscitou dúvida... então o açúcar... não vai para a chávena... vai mesmo para o pires... e a tal virgula... também irei retirá-la... não faz falta... e adicionei-a, por lapso.
    A minha dúvida era mesmo entre a chávena, e o pires, no sétimo verso... sendo assim... já irei alterar...
    Beijinhos
    Ana

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  4. e os sentires do Poeta, transformam-se em saudade...
    uma certa nostalgia no poema.
    bom domingo
    beijinho
    :)

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  5. O poema é o lar que acolhe o lar que é a cidade, que contém o lar que é a saudade. A saudade, vista de fora, que também pode ser a salvação, o porto de abrigo, advertida ou inadvertidamente.
    Bjks

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