quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

Um novo ano


Um novo ano precisa de pulmões, aliás, precisa de todo um corpo… 
Pode não ter pés, mãos… Mas necessita de uma cabeça e de um coração. 
É-lhe necessário o silêncio. E a imaginação, porque: se não conseguir ver, 
conseguirá imaginar toda essa hipótese da realidade, a probabilidade 
das cores, a contingência dos espelhos, as múltiplas formas dos afectos… 
E, se não conseguir ouvir, conseguirá sonhar a invasão da possibilidade 
dos gemidos, a eventualidade de um beijo, a casualidade dos sorrisos… 
Sobre tudo, um novo ano, dispensa olhares, palavras ou gestos hostis. 
Depois, é só sentir-lhe o irresistível balbuciar de existências e cada um 
seguir com a sua própria, socorrendo, eventualmente, outras, no implícito 
e secreto negociar dos dias, dias a fio, onde, talvez nos possamos perder 
de novo. 


 [massivo]



1 comentário:

  1. Um novo ano... para ser vivido com cabeça e com coração... no implícito e secreto negociar dos dias...
    Adorei a forma como tão bem o traduziste em palavras...
    Beijinhos
    Ana

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