segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

Visitação


Tropeçou em mim, na minha parte mais 
desacompanhada, e entrou na página 
em branco, mais gonçalinho do que são, 
à luz aflitiva e incontornável do vazio. 
Evitou, pacientemente, a página anterior, 
onde, num poema, choviam, há dias, cavacas 
doces e onde eu sorria, para contrariar 
o mundo. Aninhou-se na curva de tempo 
entre as minhas incertezas que concebem 
a tentação de suprimir problemas e a dança 
dos mancos. E aí permaneceu, imprevisível, 
por acaso, para nos questionarmos, mutuamente, 
sobre quem somos, o que somos e porque o somos, 
enquanto eu sorria, agora, para desmentir a vida. 


 [massivo]



4 comentários:

  1. A sua poesia é densa. Revela, muitas vezes, a convivência da alegria com a nostalgia, com angústias várias. Contudo, não é indiferente. Delicia, marca, preenche. É apazível e muito bela.

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  2. É um desassossego sorridente, aquele que enfrenta a adversidade e o destino menos favorável.
    Escusado será dizer que gosto do poema.
    Bjks

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  3. Quando a inspiração visita o poeta... fica difícil desmentir o talento... e a vida...
    Mais um poema incrível! Como sempre...
    Beijinhos
    Ana

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