quarta-feira, 13 de maio de 2015

à conversa






nas nossas conversas parecia que tudo poderia ser reescrito. 
elas tinham os contrastes do gosto dos morangos frescos 
e o efeito de um analgésico de longa duração. 

as nossas conversas uniam as noites aos dias com luz própria 
e apagavam dos dias e das noites as sombras descabidas. 
a linguagem deitava-se docemente para nos servir os sobressaltos 
e os sossegos, que se alimentavam nos abraços e beijos 
das palavras que tinham o mesmo sentido e sentimento. 

nas nossas conversas trocávamos as horas e delas fazíamos desejos 
tão humildes, mas onde cabia o mundo e havia sempre um caminho, 
ainda que não se pudesse trilhar; ainda que o tivéssemos que corrigir. 

não existiam pecados nas nossas conversas, tudo era salvação e horas 
de suspiros, de arrepios, de respiração, de olhares e de inspiração. 
eram maios de janelas abertas por todo e para todo o ano 
e suponho que, não sei bem quanto e bem onde, ainda o são… 



 [livro aberto]



2 comentários:

  1. Um "pecado" seria deixar este poema sem um comentário de apreço: é sublime, Henrique!
    Bjks

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  2. acho que este poema está muito bem escrito, além de ser terno e belo.
    gostei muito!
    bom final de semana.
    beijo
    :)

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