terça-feira, 22 de setembro de 2015

das horas em que gosto de sonhar


aveiro | portugal
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antigo não é mais do que o futuro do presente 
que à falta de epítetos aparto cuidadosamente 
dos poemas que se vão assomando convulsos 
para se deixarem cair sobre um qualquer papel 
e entrarem no profundo turbilhão de raciocínios 
que os afasta do singular carácter da poesia 

as pessoas têm-se esgueirado furtivamente 
para os elevadores como sombras estreitas 
e assumidamente clandestinas e volúveis 
no quinto andar somem-se para o interior 
de habitações mergulhadas no ranger das portas 
que se fecham imediata e instintivamente 

resta-me a ilha emersa num profundo afecto 
os dias são agora estranhamente mais curtos 
e a dimensão da ilha vai dependendo da maré 
e da luz que que vai havendo por estes dias 
por vezes muito frios para a altura do ano 
ou então sou eu que já não vejo os milagres 



[a ilha]



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