sexta-feira, 25 de setembro de 2015

mais do que aquilo que consigo ver


aveiro | portugal
aveiro | portugal



um saxofone aos prantos nas pontes 
a enternecer o canal central citadino 
aveiro no corpo de outono tenso 
no entardecer ao lado de quem sou 

não encontro os nossos confins ancestrais 
no desaguar cadente dessa melodia rouca 
no espraiar desta brisa dourada e despida 
de saber quem sou agora que já não estou 

perde-me o dia sem murmúrio de solidão 
a ilha quer ir mais longe no último fôlego do solo 
que é agora um beijo lento de despedida 

desempenho o meu papel de vivo 
há nos meus olhos um horizonte possível 
corpo que não pede esmolas de saudade





[a ilha]



2 comentários:

  1. um poema a respirar "cidade"
    a tua cidade
    a Veneza Portuguesa
    boa semana.
    beijo
    :)

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  2. A melodia que leva a ser sem estar, que pode ser a memória, numa dádiva de poesia. Lindo!
    Bjks

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