quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Cavalete da esquina, talvez uma face saliente



     Para trás ficou a areia, onde escrevi uma palavra uma última vez. Não há purpurinas; não há distorção. O hálito gasto do dia mistura-se no ar saturado do planeta e no odor da ria. Nas minhas mãos trago o alegre vazio, que exibo.

     Termina um dia que encobre uma noite com absurdos e alguns disparates, que, prolongados por uma noite, ocultarão, por sua vez, um dia.

     As memórias criam uma existência e uma ambiência e, por vezes, pairam no ar como um corpo que flutua, num misto de diversão e sofrimento. As memórias também mentem e há momentos em que aparentam querer mentir deliberadamente.


2 comentários:

  1. na vida tudo passa, e passa o dia a noite as memorias desvanecem se, e os anos passam ou nós passamos por eles

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Sim, e as arestas iniciais, por vezes, ficam arredondadas, criam-se outras e vincos/rugas. Mas é o normal decurso do tempo e da vida e o que a memória e o momento faz com eles (vida/tempo... história).
      Obrigado pela visita e comentário.
      Beijinho

      Eliminar