segunda-feira, 10 de junho de 2013

Constante lógica


aurorar


Não vi o Sol, quando acordei 
E, mesmo assim, sorri.
Procurei-o pelas ruas, sozinho, à tarde.
Alguém apagava um coração grafitado na parede,
Com uma mancha de tinta.
Li, que te amo. Sorri.
Vi a cidade quase deserta,
As pessoas migraram para os centros comerciais.
Só os turistas se cruzavam comigo
E eu senti-me um turista na minha cidade.
Mas não encontrei o Sol
E não sabe que eu sonho,
E sonho acordado. 
A ria não quer ser laguna
E não tem ciúmes de ti.
Que te amo lhe digo, e não sabes. 
Não podes saber e desejo.
Sorrio, na companhia de sombras,
De ti e de mim. 
No amor não há perder ou ganhar,
Por vezes, é ter ou não ter.
Não vi a Lua, quando a noite chegou
E senti que sorri sem premeditação;
Que te sinto sem sentir;
Que te toco sem tocar.
Senti que queimava e foi então que reparei
Que dentro de mim está o Sol e a Lua
E que, na realidade, a Lua e o Sol, és tu.



8 comentários:

  1. Lindo como sempre,
    digo muitas vezes não é porque não se vê que não existe, e estas tuas palavras assim o demonstram, depois o amor vive no universo e mesmo sem ser palpável encontra-se lá
    beijinhos

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    1. Sim, o amor é imaterial e universal, e muitos esquecem-se disso.
      beijinhos, Luna!

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  2. Ver, sentir e dizê-lo de forma simples e real. Antagonismos de um dia como outro qualquer.

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  3. Que dentro de mim está o Sol e a Lua
    E que, na realidade, a Lua e o Sol, és tu.

    Lindo...

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  4. nem sempre o sol nos traz o que esperamos.
    e o sol pode estar connosco e no nosso olhar.
    um belo trabalho de poesia.
    um beijo

    ;)

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    1. E nessa dualidade, o sol é um agente reagente, que desencadeia acções físicas e anímicas.
      Obrigado, Piedade!
      beijinho
      ;)

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