longe
cada vez mais longe
acordei o poema
onde tudo termina em silêncios
numa folha solta do destino
talvez seja eu a chegar cada vez mais devagar
a essa linha que os olhos devolvem ainda
com a mesma nitidez
numa história que de perto se vai turvando
ou talvez a minha percepção tenha evoluído
e tenha recomposto a noção do tempo
que demoro a percorrer esse mesmo espaço
onde a tempo abro palavras fugidias
que a espaços me levam a pairar
enquanto me perguntam gravemente
e entre sorrisos cúmplices e mordazes
pelo sentido da minha vida
ao que absorto eu vou retorquindo
entre sorrisos que me dançam o ar
«tudo à volta de procurar, sentir e voar…»