quarta-feira, 21 de outubro de 2015

estabilidade


canal dos botirões, ria de aveiro | aveiro | portugal
canal dos botirões | aveiro | portugal



sou o fio condutor da perspectiva, 
aconchegado aos versos de solvência, 
a quem todos os desassossegados têm direito. 

um voo rígido, de memórias, 
sem a resistência das interpelações 
inquietantes da existência. 
do outro lado do silêncio: a ria, 
a transpirar, levemente, sombras 
de perfumes ancestrais do mar. 
permiti, também, que o mar me fugisse. 
abraçámos os moliços, numa distância mental. 

no entanto, não posso deixar de pensar 
naquele movimento gracioso e transmutável, 
da tua silhueta tensa a beijar a intimidade 
do horizonte; na excitação da matéria 
dos teus sonhos; na facilidade das incógnitas. 
cinjo-me com a felicidade das interrogações pueris, 
na serenidade conquistada pelo passar do tempo. 



[o significado do silêncio]


2 comentários:

  1. Me chamou a atençao na foto, as casas na beira do canal... e fiquei pensando no privilegio de quem mora assim... podendo desfrutar desta vista...

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  2. Já te leio há uns bons anos ainda assim continuas a surpreender-me com a tua escrita, bjs

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