sexta-feira, 9 de outubro de 2015

girar


aveiro | portugal




outubro de novo de novo a hora dúbia 
tenho retirado cuidadosamente o amor 
dos poemas mais empertigados 
que espreitam com abraços catódicos 

conheço esse sentimento de tempestade 
que se dobra para dentro e que é carregar 
como que uma solidão universal no perfil 
e silenciá-la como se não tivesse um nome 

hoje não quero recordar o absoluto dos olhos 
as fechaduras do corpo entregue à boca 
e a pele das palavras sedutoras nos meus ouvidos 

é agora que vou girar ao sabor do vento agreste 
de oeste e impregnar-me nos tons do outono 
até cair no sono onde toda a música converge 




[a ilha]


3 comentários:

  1. Versos que deliciam, essas reviravoltas nos fados do dia.
    Fotografia e soneto lindos.
    Bjks

    ResponderEliminar
  2. um soneto onde o hoje prevalece...
    a foto excelente.
    beijo
    :)

    ResponderEliminar