quinta-feira, 1 de setembro de 2016

prolongamento


aveiro | portugal


há, no ar, como que um silêncio desarrumado, um incómodo 
anímico de fim de tarde e uma surpreendente alegoria de afecto. 
nada de novo: partir, abrupto, em direcção ao horizonte; 
circundar o planeta e encontrar-me, pelas costas, num esforço 
estéril e difícil, como que numa espécie de ingenuidade 
improvável, mas previsível, num ponto da paisagem, num hiato 
do tempo. demasiada poesia. abraço a memória e retomo 
a temperatura em queda e as janelas na insípida descoberta 
do outono. as ruas e as pontes em obras concentram toda 
a angústia e o receio da cidade sobre o misterioso progresso 
ou sobre as cifras do caminho que deixamos para trás. 
e já o vento ordenou novas palavras, finas camadas de noite 
e uma salada de esperança, para colmatar alguma súbita escassez. 


 [elipse]



1 comentário:

  1. E a vida segue... por entre o outono, as ruas, as pontes, o progresso, a angustia, os receios... em direcção à esperança... mesmo quando não se sabe para que lado fica...
    Adorei este prolongamento... em imagem e palavras...
    Beijinhos
    Ana

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