terça-feira, 14 de março de 2017

Almofada


Recordo-me do arrepio inicial, do coração da história 
que povoa a memória sobre a determinação do silêncio, 
aquele formigueiro de imagens que levam a ria a soltar-se 
do cais e a lamuriar-se pela praça, onde a minha voz sem dor 
me chamava e chama e o amor era um raio de sol no tecto 
do quarto, o palco de um teatro privado de sonhos de encontros 
por realizar. Um mundo invertido que encontrava o seu sentido 
nos dialectos das plantas sem promessas, o refúgio das assimetrias 
das circunstâncias e das razões misteriosas, que é, também, uma 
das origens dos sorrisos estúpidos da invenção do amor analgésico 
e que povoam o esqueleto dos poemas: a sua fonte e base de conforto. 


 [massivo]



1 comentário:

  1. E de um arrepio inicial... se chega ao âmago de mais um poema... com a ria como fio condutor... e fonte de inspiração!...
    Mais um brilhante poema, sempre de cariz profundo... embora de aparência leve...
    Beijinho
    Ana

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