quarta-feira, 8 de março de 2017

Do dia


Não são falinhas tortas, palavras tatuadas ao acaso 
num papel casual, com uma tinta escura e paternal. 
Gostaria que não necessitasses de uma lei, ainda 
assim cega, para que te reconheçam como minha 
igual, para que te imponham em número, como se 
fosses apenas isso: um número, uma proporção, 
uma simetria, um gráfico… estatísticas de ocasião. 
Mas, num certo sentido de similaridade, deseja-se, 
mas não se espera, que deixem de existir homicidas, 
violadores, corruptos e corruptores… agressores, 
ou a intolerância, o sectarismo, a discriminação... 
Deverias poder estender-te pela ria, sem medo, 
a bradar felicidades em demoradas viagens salinas 
com o tempo das ruas e das marés, que não fecham 
aos domingos. Mas os senhores não mudam, não 
vacilam. Têm a urgência num repasto elaborado 
e fácil, o entendimento de uma hipocrisia milenar. 


 [massivo]



1 comentário:

  1. E em nome de uma hipocrisia milenar... celebra-se o Dia... para marcar a diferença nos demais...
    Quisera eu, que este dia não fosse celebrado... para todos os dias, serem realmente iguais... e celebrados... entre iguais, por direito...
    De qualquer forma, uma belíssima e assertiva homenagem, Henrique!
    Beijinhos
    Ana

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