quarta-feira, 17 de outubro de 2012

E hoje… (XLIII)



     …O dia demorou-se, rigorosamente diferente; desmoronou-se, exactamente igual.
  
     Não me resguardo da chuva, para me diluir nas gotas que caem livres e independentes, sem me evitar. Espera-nos o chão. Hoje tive muito chão e muita estrada, que será a mesma de amanhã, sem ciclo.
  
     A ria está em silêncio. O som da sua respiração, em modos simples e compreensíveis, é abafado pelo som da chuva descomplicada. O governo da água, num Estado inundado.
  
     Pouso a lua, que encontra a terra. Talvez consigamos dormir.
   

8 comentários:

  1. Verniz Negro18/10/12, 01:10

    Olá. Gostei imenso deste teu "relatar" de dia acompanhado da chuva e tanto chão na frente. Adorei a frase "... O governo da água num Estado inundado" nunca nada esteve tão certo. Espero que a Lua fique quietinha, a terra cante beixinho e consigas dormir e retemperar forças, para mais chão que te espera. Lindo, Henrique como sempre a tua forma de escrever e fazer sentir o que escreves. Beijinho e obrigado pela amizade.

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  2. Que a lua te tenha embalado na Terra que sustenta e o teu sono tenha sido sereno, choveu a noite toda,há dias assim repetitivos, cansativos, eu preciso de sol, sem ele tudo fica triste, tem cuidado com o chão que hoje tens pela frente a chuva não para.
    beijinhos

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    1. Obrigado, Luna!
      Gosto da chuva, da água, mas também preciso de Sol, da luz, do calorzinho!
      Beijinho

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  3. Gosto do que li, como texto, cada frase e diz-me tanto.
    Noto um Henrique diferente, e não será só muito trabalho, cansaço.
    Um beijo e abraço.

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    1. Obrigado, Vera! Há um Henrique em execução!
      Beijinho

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  4. Sem palavras. Adoro, sobre tudo, o simbolismo de pousar «[...] a lua, que encontra a terra».
    Um beijo.

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