quinta-feira, 25 de outubro de 2012

O contexto de limitação com texto de arbítrio


Nada está escrito
As palavras estão pelo meio
E pelo meio vivem inconclusas
Vocábulos inacabados
De fórmulas circunspectas
E como nuvens ganham novas formas
Perdem-se pelas ruas da cidade que desvela
Amorfa e alheia às alas da condição
Como se subissem serranias ou montanhas
Mas não é manifesto
Não está descrito em termos que possam ler
Porque as palavras relembram que estão sem forma
Porque há um fim que pode iniciar na entrada
Na metade de uma empresa
No terço de uma gândara
No quarto de uma floresta
No quinto de uma vontade
No milionésimo de milha
Porque há uma estrada
Que pode ser consertada
Onde é possível aparelhar as pontes
Com um machado de paz e vulto
Ou ergue-las com rocha talhada pelo suor de um sonho
Ou erigi-las com betão de uma firmeza sensata
E no final
Por certo
Nada nada decerto está verdadeiramente escrito
As palavras palavras estão incompletas


6 comentários:

  1. acho que o poema e a foto das nuvens estão em sintonia nada é estático tudo é uma parte de...nada esta para sempre completo mas pode-se complementar, mas é preciso o sonho para acreditar que o bom tempo vai chegar e a sensatez para o confirmar, as palavras estão sempre incompletas até uma folha da vida ser escrita aí vira-se a página e numa nova as palavras estão incompletas
    beijinhos

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    1. Sim, a fotografia e o poema estão em sintonia. De certa forma, a fotografia ilustra o poema e complementa-o.
      Creio que, mesmo as palavras das páginas viradas, continuam, algo naturalmente, a «ganhar formas» e nunca estão completas. Mas interessam as novas, as que vencem o caminho e que se revelam.
      Obrigado, Luna!
      Beijinho

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  2. «[...]
    E no final
    Por certo
    Nada nada decerto está verdadeiramente escrito
    As palavras palavras estão incompletas»
    Adorei! (Todo o poema!)
    Bom fim de semana!
    Um beijinho!

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  3. Verniz Negro26/10/12, 23:00

    Belíssimo poema. Deixo um beijinho Henrique. Com desejos de um excelente fsemana. Obrigado pelo carinho da tua visita.

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    1. Obrigado,Verniz Negro!
      Bom fim-de-semana!
      Beijinho

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