terça-feira, 7 de outubro de 2014

por aqui





as palavras caem como as folhas no outono 
e nestes instantes afundo-me no banco, 
num qualquer lugar, e descuro o flanco: 
abandono-me nos abraços do sono. 

sobrou-me o mesmo setembro em outubro, 
o mesmo que me faltou em setembro; 
o mesmo onde tracei trilhos que desmembro, 
os que resistiram às ondas com que me cubro. 

saberia acordar nos braços do desjejum do dia, 
ainda palavras agarradas inteiramente à frase 
inteira do sal grosso na manhã de uma melodia, 

e encher a causa com a paz que extravase 
em todas aquelas dissonâncias da harmonia, 
que me chegam num mesmo e sempre: quase. 




1 comentário:

  1. Que bonito Henrique, a paz que extravasa e enche os instantes de palavras que se assemelham a frágeis flhas de outono.
    Linda também a fotografia _ gosto quando as cores criam essa tonalidade que lembra pintura em tela.
    deixa um abraço

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