quinta-feira, 12 de novembro de 2015

compósito


aveiro
no parque de santa joana | aveiro | portugal


o que escrevi na tua pele, 
transformou-se noutra coisa. 
assim como a tua língua, o teu corpo. 
sei o que lá está, mas não consigo ler 
o que escrevi e não consigo ler-te. 
a nossa língua não se encontra. as nossas 
línguas emudeceram os nossos corpos 
humedecidos. não podemos reencontrar 
aquela versão do amor, neste outono, 
e muito menos reinstalá-la na ponta 
dos dedos, na ponta da língua, na córnea, 
enfim, em qualquer parte dos nossos corpos, 
que se diluem na rebentação das ondas 
que não sabem trazer o que vem depois, 
e onde eu quero escrever-te coisas novas 
e incompletas, no teu corpo diferente, 
com palavras ordeiramente desalinhadas, 
com os silêncios certos em local incerto. 



[o significado do silêncio]


3 comentários:

  1. Tenho sentido uma imensa dificuldade em comentar, para além do óbvio anuir e gostar. E gosto, e tanto. E passo sempre para ver, ler e sentir.
    :)
    Bom fim de semana! Bjks

    ResponderEliminar
  2. Belo e intenso. Magoado, talvez.

    Beijos, Henrique. :)

    ResponderEliminar
  3. a vida muda, ou talvez sejamos nós que mudamos e o que era deixa de ser, por vezes parecemos os cães correndo ás voltas para apanhar a própria cauda. bjs

    ResponderEliminar