sábado, 7 de novembro de 2015

papéis


castelo de vide | portugal



sei que não me tens sentido. estou aqui. 
sei, também, que não me consegues ouvir 
e que o silêncio aparenta agigantar-se. 
reconheço o odor da refutação obstinada 
e da solidão que te enferma até à raiz. 

talvez não consigas ouvir o meu silêncio 
pelo tumulto do teu. eu entendo e ouço 
o teu silêncio. sei que vacilas, enroscada 
sobre ti, nesse espaço escuro que é a dor 
da incerteza e da insegurança. não estou. 

ouço, nitidamente, o teu suspirar abafado,
a revolta que alternas com a firme convicção 
que deixa de o ser no momento seguinte. 
tudo te é tão longínquo. frágil e multiplicável 
pelos seus infinitos sinónimos. e eu não. 

ainda sonho durante o sono, quando consigo 
domar os sonhos e a poesia de acordado. 
e quando os sonhos me doem e o silêncio 
continua a atirar frases, sei que continuamos 
juntos no silêncio. és um gemido e eu também. 


[o significado do silêncio]



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