sexta-feira, 6 de novembro de 2015

gaveta


aveiro
aveiro | portugal


o que faço eu com as árvores despidas? 
olho para além da tristeza do outono, 
enquanto recolho as palavras que caem 
em todas as direcções, e a minha direcção 
és tu e o desejo de te encontrar. mas 
os brilhos, e as sombras, que trazem 
sempre qualquer coisa, trazem-me a minha, 
e a tua, ausência, numa imagem nítida 
que desaparece com o cair da chuva 
no perfil da possibilidade que atravessa 
a cidade sem explicações e sem promessa. 
não sendo o antes, talvez seja, isto, o depois, 
e é o devagar, o abraço, a saudade; 
é a maré aberta que exorta a probabilidade 
do devir, a artificialidade de não ser: 
tarde demais. 


[o significado do silêncio]


2 comentários:

  1. Achei triste o que vc escreveu... ausencias, probabilidades de nao ser...

    Mas gostei da foto...pessoas sentadas... vendo a vida passar...

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  2. As estações se sucedem, dentro e fora da gente. E todas têm seus encantos.

    Belíssimo Henrique.

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