domingo, 8 de novembro de 2015

lícito





quando ambas as variantes estão correctas, 
tanto faz o que possamos escrever na pele com 
os olhos, ou o que nela possamos ver com os 
dedos. talvez consiga sair quase ileso do domingo, 
e percorrer quase ileso a segunda-feira. bem sei 
que te amo e que não saímos ilesos de lugar nenhum, 
nem da, nem a própria, poesia. e bem sei que quase 
não estamos em lugar algum. quase que habitamos 
a distância e o tempo onde vamos ficando isolados 
no sentido, quase único, da luz. luz que é um caminho 
que se expande em contínuo, até, eventualmente, 
esbarrar e deslizar nas paredes dos nossos muros. 
por vezes a luz extingue-se, sem quase ter tocado 
em alguém; sem quase se ter reflectido em alguma 
coisa. mas o que nos importa é aprender a ser a luz 
e o amor, e não apenas um mero reflexo nos braços 
de quase alguém. 




[o significado do silêncio]


2 comentários:

  1. E eu me imaginei nessa foto... fim de tarde... sentada em uma varanda... observando o gato quieto, atras um ceu limpo e azul... bebendo limonada gelada e deixando a vida passar ao largo...

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  2. a foto está excelente.
    o poema é uma ternura mesclada de dúvidas.
    gostei!
    :)

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