segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

Esfera


Não te lembras. Já não te lembras de mim. Lembras-te 
de uma certa imagem que constróis como absoluta, 
mais propriamente tua, onde já não sou cuidadosamente 
eu, ou onde já não vive o meu ralo reflexo, o meu olhar, 
ou a ideia que de mim tenho e existe, ao meu curto alcance 
de espectador exilado da pátria dos instintos. Sou, já, 
a imagem que o tempo guarda num inventário de tons 
legados pela acção erosiva da sua passagem e a projecção 
num aglomerado de palavras e histórias que os caprichos 
da memória redistribuíram num puzzle de ruídos e juízos. 
Talvez como a imagem que de ti guarde. 


 [massivo]



2 comentários:

  1. A memória... pode ser precisa... ou ardilosa...
    Mas para quem as tem, revela a verdadeira percepção das coisas...
    Ora cá estou estou... tardando... mas não me esquecendo de passar por aqui... :-)
    Mais um inspirado momento poético... sempre com um cunho bem pessoal, que aprecio imenso!...
    E agora espreitando as últimas novidades... o Novembro... acabarei de ver no fim de semana, sem falta!... Livra! Que o tempo voa...
    Beijinhos
    Ana

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  2. Um sentimento intenso, com vários reflexos, mas escorrido, limpo, abnegado. Talvez, por isso, melancólico, mas, ainda assim, rico de conteúdo e agradável.
    Bjks

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