quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

Céu azul de palavras


Há um céu muito azul, por vezes um pouco menos, 
ou seja, há um céu azul de palavras, onde cabem 
as coisas que deixámos por dizer e que nunca diremos; 
onde cabem todas as substâncias, as grandezas 
concretas e o não concreto do que dissemos e não, 
por outras formas que não as das próprias palavras 
ou por elas mesmas, as palavras, embora diferentes; 
onde cabem todos os azuis e todas as outras cores… 
No fundo, onde tudo, tudo, cabe na pele que eu sou. 

Há dias em que o céu azul de palavras se despe à chuva, 
com um sangue frio, com o sangue quente, como se fizesse 
parte dessa mesma chuva fria e quente. É, então, uma chuva 
de céu azul de palavras a romper por trás dos olhos do espelho, 
que é a alma, e que não se cansa de disseminar o azul real, 
que tanto, tanto, tentam justificar e que escolhe as ruas à sorte. 



 [massivo]

3 comentários:

  1. Este poema é um encantador 'céu azul de palavras'!

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  2. O que dizer, Henrique, quando as palavras são, assim, um encantador céu azul, que nos leva a flutuar nessa chuva de felicidade?!
    Gostei, e muito!
    Bjks

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  3. Maravilhoso este céu... onde as palavras ganham asas... e nos fazem em pensamento voar...
    Mais um dos meus favoritos por aqui!... Sublime!
    Beijinho
    Ana

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