segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Moleza


Gosto de dias assim, dias em que o rebordo das palavras límpidas 
espelha a azáfama do Sol, que se multiplica em beijos meigos, 
e o brilho dos pássaros no céu aberto. Céu de um magnífico azul 
tenso. Exemplifico o azul tenso, como aquele azul que os nossos 
olhos, não muito líquidos, nem muito secos, prolongam em bondade 
humana, de um horizonte a outro horizonte diametralmente oposto 
e a todos os seus confinantes laterais e sucessivos, num céu imaculado 
e de fundo inalcançável; absoluto, quando em alto-mar e cerca do 
meio-dia de um dia perfeitamente limpo e de uma qualquer primavera. 
Eu fico imóvel, com o corpo no tempo, enquanto os lugares passam. 
O lugar, como uma medida de tempo, e o tempo, como um destino. 


 [massivo]



1 comentário:

  1. Adorei este poema cheio de céu... pintado de um azul optimista...
    Como sempre, mais um trabalho fantástico! As duas últimas linhas... são mesmo a cereja no topo do bolo...
    Beijinho
    Ana

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