quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

Latente


Aqui mergulha a cidade, onde já me confundo como parte 
desta margem indistinta e a desobedecer à solidão e ao mundo. 
Não sei bem há quantos anos-saudade percorro estes canais. 
As palavras não o dizem. Nem os meus olhos dizem a forma 
da tua boca, do teu nariz, dos teus olhos… De todo o teu rosto 
completo pela luz do luar, o brilho solto que inventa labirintos 
para o amor desvendar em várias velocidades e compassos. 
Aqui, longe das areias movediças das conjecturas, as emoções 
são lugares contínuos e habitáveis: o fermento da existência. 
E a cidade prossegue, sob a ria, por passagens subterrâneas. 


 [massivo]



1 comentário:

  1. Pura inspiração... uma vez mais com a ria, como cenário, e canal de todas as emoções...
    Mais um poema de leitura deliciosa...
    Beijinho
    Ana

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