domingo, 31 de julho de 2016

cenário «a»


[intencionalmente "desfocada"]


a confusão anda desordenada no palco da poesia. 
alguém me procura no poema que eu não sou; 
alguém me procura o poema que não está. 
o ofício abafa toda a possibilidade de ser e de estar 
e a peça segue, de poema em poema, onde os personagens 
partem e regressam ao mesmo palco, gravemente indeciso, 
em cenas perigosamente repetíveis, que a cada um deixam 
uma sensação, um estado, um sabor e, eventualmente, 
um desejo mais tradicional, como que uma ombreira. 
gerações sucessoras dos personagens do personagem inicial. 


 [elipse]


2 comentários:

  1. um poema que nos ensina que a vida é um palco e que estamos sempre em cena.
    uma foto como suporte muito bem escolhida.
    gostei muito
    :)

    ResponderEliminar
  2. Realmente a vida, por vezes, é um palco... onde até a própria confusão... se confunde consigo mesma...
    Palavras e imagem, não se poderiam harmonizar melhor...
    Beijinhos
    Ana

    ResponderEliminar