quarta-feira, 24 de agosto de 2016

o estranho ritual


puxou o par de chávena de café para si. 
retirou o pequeno pacote de açúcar, 
de papel, que se encontrava pousado 
no pires, rasgou-o num dos topos, quase 
completamente, mas com cuidado. 
despejou o conteúdo, propositadamente, 
no pires, e olhou para o seu interior. sorriu. 
depositou ali a sua vida. fechou o pacote, 
com três pequenas dobras bem vincadas, 
sem perder o sorriso, e, sorridente, sorveu 
o café. pousou a chávena delicadamente, 
fitou a janela com a triunfante expressão 
dos felizes e ausentes e assim permaneceu 
num o último acto, como se fosse o dono 
do tempo; se bastasse a si mesmo; e não mais 
necessitasse do mundo. para, assim, o abandonar. 


 [elipse]



2 comentários:

  1. Digo o mesmo... brutal!!!! Este estranho ritual... Volto a dizer... ficou registado... e qualquer dia... vai surgir lá no meu canto... se também não te importares...
    Beijinhos
    Ana

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