sábado, 27 de agosto de 2016

retalho




a felicidade num rosto por onde se cruzaram tantos 
anos, com uns olhos transparentes, que me puxam 
para um mundo de simplicidade abrupta e despudorada. 
a felicidade que se amalgama na cidade, como se fosse, 
mais do que um largo mais, o seu próprio ambiente. 
alimentar os pombos, aparenta ser a sua missão de vida, 
e a minha, idiota, aparenta ser observá-la, nalguns momentos.

mas desenganem-se, não a julgo, não satirizo. sinto uma 
indescritível, e, contudo, natural cumplicidade; uma eterna 
e legítima gratidão: sou, também, um simples pombo. 


 [elipse]


1 comentário:

  1. O que dizer?
    Mais um post de qualidade notável...
    Para apreciar e reapreciar...
    Beijinhos
    Ana

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