quinta-feira, 3 de novembro de 2016

Antes do jantar


O gato atravessa a relva do parque à hora de ponta 
do recreio dos cães. Atravessa com sete inseguranças 
e sete cuidados; com sete firmezas e sete audácias, 
nas suas sete hipotéticas vidas. Quase que rasteja, 
com sete olhos nos cães, e sete vezes hesita e outras 
tantas se aventura. Todo ele se torna hirto e agilidade. 
O gato sabe. Os cães sabem e os seus donos temem 
saber. Mas, hoje, o gato tem uma vida para contar 
e poderiam ter-lhe voado as sete vidas incertas. 
O amor, por vezes, assemelha-se ao gato ou aos cães 
deste fim de tarde. Não sei quantas vidas tem o meu 
amor, o teu amor; se, no outono, o meu corpo é 
o encerramento do céu; se existe um momento ou 
um número exacto para a nossa presumível salvação. 


 [massivo]



1 comentário:

  1. o amor pode existir nos olhos que esperam a salvação do gato que corre apressado e mia que hoje foi mais um dia que conseguiu viver, bjs

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