quarta-feira, 30 de novembro de 2016

Continuação: a extinção do delírio


Que outono é este, que nos entra, como inverno, pela página, 
a riscar o rebordo dos instintos e a ocupar os espaços do poema? 
Porque não lhe basta minguar a luz do seu interior, o nosso parco 
e exacto exterior, na brevidade do quotidiano reflexo dos dias? 
As suas raízes misturam-se com as nossas, num subterrâneo afecto, 
num impulso brusco que apaga o delírio, já conhecimento instituído. 
Sim, o delírio extinguiu-se, o outono é pleno, os caminhos são o infinito 
cheio de palavras, as folhas perdem-se, antes mesmo de cair, 
e acumulam-se à superfície da lembrança, onde afloras, perene. 


 [massivo]



1 comentário:

  1. Um poema denso e com um profundo sentido de infinito... e de realidade... que talvez seja o derradeiro delírio...
    Um poema incrível... mais um!...
    Beijinhos
    Ana

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