terça-feira, 11 de outubro de 2011

Memória particular


     Era uma vez uma primeira entrada, ingénua, quase como as actuais.


     «Este será um bocadinho de mim e de nós.
     É um "aurorar"...»


     Naquele tempo, há cinco anos, foi uma descoberta fantástica, pelo aparente e real potencial, onde fui predominantemente ausente e desalinhado. Para além disso, existiram outros locais, onde ficaram, permanente e irremediavelmente, fracções, encantos e alguns desencantos. Importei, em mudanças voluntárias e involuntárias, alguns sítios. Repeti, reeditei, alguns fragmentos. Juntei pedras de várias dimensões e outros materiais para consubstanciar esta casa, enquanto outros retalhos continuam nos seus lugares, talvez, à espera de uma oportunidade.

     Não sei quantos becos novos, ou auto-estradas, foram rasgados ou fechados à volta deste lugar, que tem sido calmo, até porque, o meu trilho foi sempre o mesmo, tranquilo, sem armadilhas, sem ardis, sem pressas e com naturalidade.

     A inquietação permanece plasmada nos escritos das palavras que desenho e reinvento, mas a pretensão de “aurorar” já se desvaneceu, entretanto, em reservas e constatações. Continua o fascínio pela partilha. Agora, pontualmente, consigo discernir a generosidade e a repartição gananciosa. Não são essas as minhas preocupações.

     Não espelho ânsias de festejos, transmito, apenas, memórias, afectos, sentimentos, sentidos, emoções, sensações, enquanto a natureza me permite essa satisfação.
  

5 comentários:

  1. E tudo por causa de um blog... ou será por nossa causa?

    (este "nossa" não tem de ser meu e teu, apenas um "nossa" no geral)

    E hoje, passados 5 anos, consegues dizer se tudo valeu a pena?

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  2. Estou tanto pela partilha, o bem-comum,
    Como pela "terapia", que poderá ser a parte egoísta
    Ou o bem pessoal, do meu ponto de vista.
    Não sou um escritor, sou um indivíduo em jejum
    Que gosta de escrever e este é um acto de reflexão,
    Não um acto de contrição.
    Se valeu a pena? …Tudo nos merece a pena
    Na simplicidade branda e serena.
    Ser pessoa, sem ser Pessoa,
    Até que a alma doa.

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  3. Não creio que a terapia seja a parte egoista. É apenas a parte teraupeutica :)

    Faz bem escrever, a mim pelo menos faz. Um extravazar de alma. Se bem que por vezes, por escrevermos prolongamos mais os sentimentos, damos-lhe alimento, e estes custam mais a desaparecer dentro de nós.

    Eu contradigo-me eu sei. Nem eu mesma me compreendo ;)

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  4. Perdeste-te nas memórias hoje? Olha que eu dei pela tua falta ;)

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