segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Retalhos e atalhos


     Os raciocínios de evidências são solicitamente contestados por retalhos descontextualizados e outros atalhos, numa linha que se desfia.

     Como regos de água translúcida e fria em chão morno e completamente opaco e compacto, escorrem os conjuntos de vocábulos em frases alinhadas em alvoroços de paz, sem serem absorvidos.

     Por outro lado, as promessas, as juras, as doutrinas, as sentenças, os ensinamentos: Palavra… Palavras. Espelhos, reflexos e lembranças de obscuridades e clarões, numa toada serena mas não frouxa.

     Depois, os derivados e as derivadas, os vulgares e os baixos, e um sem-fim sem-termo de termos aprazados e aprisionados a diminutivos afectuosos e amigáveis. O fio engrossa, passa a cordel e a corda, e num ápice a adival de esmeros. Tende para zero.

     Por fim, um discurso alagadiço drenado para cultivar a confiança a partir da oratória proveniente da tábua rasa e da pedra-de-toque. O toque. O rebate.

     Lúcido, tenho que marear.

2 comentários:

  1. Onde anda esse optimismo? Para onde te levaram as memórias quando escreveste isto?

    Por vezes as linhas desfiam-se sim, mas outras vezes engrossam sem passar a cordel, sem prender. Apenas porque unem.

    É bom sentir o toque da linha que une.

    ResponderEliminar
  2. Sim, é bom, quando a linha que nos une também nos aproxima.

    ;)

    ResponderEliminar