sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Às vezes fico um pouco calado


Temo que te confunda
Com a minha postura
Com os meus termos
Com a minha alucinada lucidez
Com a clareza do meu delírio
Às vezes fico um pouco calado
Sou o erro da tua vontade
Sem ser o desejo do teu pecado
Sou o delito da tua oração
Sem te ser nada ainda e por fim
Depois do tempo suspenso

Às vezes fico um pouco calado
Receio que te confunda
Com o meu desprendimento
Com a minha escrita
Com a minha credulidade
Com o meu olhar penetrante
Com o meu humor sagaz ou vadio
Eu sou uma encruzilhada
Simples e sinalizada
Num cruzamento sem marcas e agitado
Um labirinto com rumo
No centro de um percurso sem sentido
Onde só vês complexidade

Por vezes não me entendes
Sinto a vitória e a derrota
Às vezes fico um pouco calado
Eu choro
No tempo
Rio
No prazo
Fico magoado
Na duração
Sou feliz
No período
Sou tão só um ser humano
No curso

Eu sei que às vezes fico um pouco calado
Gosto de imaginar que me abraças no silêncio
Que não se silencia
Onde o pardacento acede a um pouco de paz
Na sede única de um único beijo

4 comentários:

  1. Este é dos tais que me deixa sem saber que dizer. Não por não ser acessível, porque se fazem, porque são! Se os quisermos. Mas porque é tão belo que me deixa sem palavras, sem quase acção. É simplesmente um hino. Um marco. Adorei-o. Se pudesse levá-lo-ia por tão bonito, tão verdadeiro. Beijinho grande. Bom descanso e que tudo corra bem contigo e quem amas.

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  2. Eu creio que é muito acessível, mas eu sou suspeito e tu és muito amável e amiga, o que agradeço.
    Obrigado, por tudo!

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  3. Os silêncios confundem(nos). Mas mesmo, por vezes um pouco calado, creio que sabes te fazer entender.

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