segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Fuzis da ria


Da baixa-mar os vazios
Em construção numa vontade
Oca e pagã da ria, produzida
Em espasmos e calafrios
Da imaculada irmandade,
Pelos ventos zurzida,
Debaixo de olhares sombrios.

Os moliceiros, já descaracterizados,
Governados por marnotos
Com os fundilhos rotos,
Patrões mascarados, cauterizados
Pelos elementos em rigores,
E os seus moços, com pavores,
Correm com gemidos autorizados.

Lastimam os moliços, mortiços,
Há muito que pronunciam a viagem
Sem rumo, nem paragem.
Exigem carinhos e viços,
Oscilam em logros e vertigens
De correntes e origens,
De desembarcadouros e passadiços.

Tombou o Amor na posição de embuste,
Vagou lugar, de frente para o cais,
Zarpou com esperança no regaço
E harmonias de uma melodia de ajuste.
Arrastou entendimentos ambientais,
Inverteu sentido à clemência sem espaço
E sorrio, sereno, para o mais velho dos arrais.

6 comentários:

  1. Noctívaga07/02/12, 00:51

    Olá amigo, como estás? Mais um maravilhoso poema embora nostalgico. Um abraço imenso e um beijinho com amizade. Espero que esteja tudo bem contigo Henrique. Uma boa noite e um bom dia de amanhã. Obrigado pelo teu carinho.

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  2. Nunca conheci ninguem que escrevesse assim.
    (Não é uma critica, é um elogio.)

    Beijinho

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  3. Uauuuu!
    Não me sai mais nada...

    :)
    Bjks

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  4. Olá, Noctívaga!
    Obrigado, pelo comentário e visita!
    Beijinho

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  5. Olá, S.o.l.!
    Obrigado! És muito generosa.
    Beijinho
    ;)

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  6. Quinteto, olá!
    Assim, também, fico sem palavras.
    Obrigado!
    :)
    Beijinho

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