Este estado de quase Primavera, Primavera antecipada,
Traz já os alegres cantos dos passarinhos confundidos
E o calor, que abrasa o gelo dos cios mal paridos e
escondidos,
Encobertos pela modernidade de uma geração emancipada.
Facilidade e intuição circulam de mãos dadas e torpes.
Sem estranheza, o pouco atraente alicia e o bonito é mais
belo.
Os gostos, as cores, os odores tornam-se mais fortes!
Alheios ao aumento do nível do mar, que me preocupa,
Andam os pardais atarefados, com mil palhas no bico.
Absorto, sem contar o tempo que gasto e lhes dedico,
Procuro-lhes a força e a ânsia, que tanto os ocupa.
Abandono-os e não os vejo deprimidos ou cansados.
Não sei se, em verdade, não sabem alguma coisa
Ou se preferem ignorar e viver mais um dia afadigados.
Este estado de quase primavera, Primavera desejada,
Traz alegrias e alergias, esquecidas em igual forma e
grandeza.
Umas que não me torturam e outras que não me roubam a
tristeza.
Dedico-me às que recordam satisfações, sensação cobiçada.
Quero lá saber dos moralismos encapotados pela benignidade,
Falsa e astuta, de quem não tem mais nada para fazer,
Sobre quem vai, quem vem, quem passa nas ruas da ociosidade!
Alheios à subida da temperatura, que me inquieta,
Seguem os inquisidores, auto-proclamados, das habilitações,
Aparentando-as justificadoras de aptidões a ajuizadas
opiniões.
Estranho-os, porque me são familiares na postura indiscreta.
Entre um riso que vem e um riso que vai, deixam a incerteza
De uma atitude que dizem que tem e logo dizem não ter.
As origens, os humores, as pretensões secundam a esperteza!
Este estado de quase Primavera, primavera declarada,
Leva o frio, traz mais luz, aviva os sentidos, desmaia o
luto.
Aveluda a aparência, faz renascer o corpo devoluto
E dá, a todo o ser, uma imagem de fresca cara lavada.
Alheios ou não, a realidade transita do “agora” para o “a
seguir”,
Um vento que vem e vai sobre a folha que nasce e não pára de
crescer.
Afinal, tudo isto me aclara, encoraja, tudo isto é sério e faz-me
sorrir.
Hoje, por aqui, a Primavera ainda não acordou, o sol esconde-se atrás das nuvéns, e a brisa é fresca.
ResponderEliminarTambém sabe bem... refresca a alma e mantém o sorriso.
Abraço.
Hoje, ainda não vi o Sol, por aqui está nevoeiro. Há uma brisa quase imperceptível, não muito fria, mas, naturalmente, húmida. Falo, escrevo, com/para a S.o.l.! Sorrio, tudo isto me sabe bem, também.
ResponderEliminar[O poema tem cinco anos. Tropecei nele, sem querer. Recordo o dia, o local, os sentimentos, os sentidos... É estranho, parece que foi há muitas vidas a trás.
Como já o tinha partilhado, noutro blogue, decidi voltar a dar-lhe luz.
Ultimamente tenho escrito bastante, para mim.]
Beijinho
Há lembranças que nos transportam ao dia anterior e outras que nos parecem de outras vidas.
ResponderEliminarÀs vezes sabem bem escrever para nós apenas. Há coisas que não nos faz sentido publicar no momento.