quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

O céu pode esperar


Deixo-me enganar pela avidez dos meus olhos, 
por eles vagueia uma multidão nocturna e ansiosa. 
Procura, a multidão, ser vista, sem devolver o olhar, 
para continuar a sonhar, num fractal de movimento. 

Olho, agora, para a palidez lunar da ria. Reflecte a fundamental 
imagem da cidade. A cidade definitiva, onde tropeço, e fecho os olhos. 
Assim, vejo o brilho dos teus [olhos] que me querem puxar para dentro de ti, 
para aí me deixarem, no lugar onde são desnecessárias todas as palavras; 
o lugar onde se esquecem todas as coisas, como as perguntas e as respostas, 
e se fica entregue a todos os sentidos físicos, metafísicos, cerebrais… 
O céu pode esperar, mas é para aí que eu vou tomar o teu corpo. 


 [massivo]



1 comentário:

  1. Lindíssimo!... Enfim... mais um dos teus trabalhos, anotados na minha listinha de favoritos... para destacar durante o próximo ano, lá no meu canto, se não te importares!
    Beijinhos! Virei durante a semana com mais tempo, apreciar os teus poemas de Novembro, que me escaparam, sem ter oportunidade de os comentar...
    Ana

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